BLOG MUNDOLOUCO
(ou - Pensamentos avulso de um gajo sem juízo)
11-10-2005 - 30-12-2005

Ver entradas 01-01-2006 - 17-04-2006
 

30/12/2005
FELIZ 2006!!! E Muitas Fâbas na passagem do ano! ;)

28/12/2005
As macaquices de Peter Jackson.

Fui ver o King Kong (ah já cá faltava crítica a cinema, não era?) Ora bem, piadas com macacos à parte - "Oh filha, não fiques triste. Pronto, toma lá outro macaco" (enfiando um dedo no nariz), o amigo Jackson (não o Michael, esse não o chamo de amigo) meteu os pés pelas mãos. O filme é muito longo, e basicamente separa-se em duas histórias distintas: A primeira metade, sobre um realizador de cinema obcecado e aldrabão, à beira da ruína, e uma actriz também à beira da ruína, e mais alguns personagens razoavelmente credíveis creio que na maioria também à beira da ruína. Muita ruína tem este filme. O realizador (o personagem interpretado por Jack Black, não o Peter Jackson) descobre o mapa de uma ilha que ninguém tinha descoberto ainda (oficialmente, devo acrescentar - vá, também não quero ser assim TÃO mauzinho...) e então engana uns quantos financiadores, a dita actriz, um argumentista, o capitão de um navio e provavelmente mais uns quantos de quem já nem sequer me lembro. E lá partem todos em busca da ilha. Parece um filme realista nesta primeira metade, com algum humor à mistura, mas para quem não tivesse visto o título nada diria o que aí vinha quando chegam à dita ilha.
E então começa a macacada! Ok, eu sei, é um filme de ficção à grande, de efeitos especiais, de macacos a lutarem com tiranossauros (dito assim parece mais parvo do que é). Eu sabia para o que ia, e eu gosto de um bom filme de fantasia. Só que Jackson tentou misturar 2 filmes diferentes e não resultou. A segunda metade do filme é tão exagerada que nem os personagens que ele andou a tentar convencer-nos de que eram humanos na primeira metade se escapam. Ou melhor, escapam, a tudo e mais alguma coisa, inclusive a toneladas de patas de brontossauro (ou outro sauro qualquer) que passam sobre eles numa enorme manada (devo acrescentar que nesta cena, por muito que as imagens CGI do filme sejam muito boas, a colagem está péssima - não sei se é a diferença de iluminação entre os actores filmados em fundo verde com os bonecos gerados por computador, se a montagem das duas animações - mas parece mais falso do que era suposto.)
A fauna da ilha perdida também é um exagero. Todo o bicharoco feio que Jackson se lembrou existe naquela ilha, normalmente numa escala de 10:1. Às tantas, começa a tornar-se aborrecido. E depois, as cenas com insectos asquerosos pertencem ao Indiana Jones e não fica bem andar a copiá-las.
Por último, lá por alturas dos anos 40, talvez ninguém comentasse, mas nos dias de hoje as pessoas já não são assim tão inocentes. Francamente, o amor entre um macaco gigante e uma mulher não é uma coisa que se meta num filme que as crianças vão ver. Acho que a prática de bestialismo é repugnante e devia pertencer somente ao universo de filmes da Cicciolina. E depois lá vêm as piadas - Diz o Kong: "Oh filha, mexe-te!" E responde ela: "Mexo o quê? Só se for os olhos!"

Não quero com isto dizer que o filme seja mau. Só quero dizer, que especialmente depois das provas dadas com a trilogia do Senhor dos Anéis, bom também não é certamente.

23/12/2005
Hoje não vou falar das presidenciais, nem do facto do Marocas ser um verme sem escrúpulos nem maneiras, malandro do contrabandista de diamantes que quer tacho outra vez e não vê meios para chegar a fins (tenho que ter cuidado senão o gajo ainda ameaça processar-me a mim também). Também não vou falar do já enojante processo da Casa Pia ou do facto de para além de mostrar a ineficácia do nosso sistema judicial (esta merda vai com mais de 2 anos - depois admiram-se que os tribunais não dêem vazão), mostra também a vergonha que são os nossos mídia, que dia após dia tentam fazer julgamentos em praça pública, agora até já sai cá para fora com antecedência as perguntas que os advogados vão fazer ao Pedrófilo... hã, Pedrosa, no seu novo papel de testemunha. Também não vou comentar a estrada que novamente se está a construir através da Amazónia, nem tão pouco mandar à merda todos os brasileiros que dizem que o pulmão do mundo está no território deles e que portanto o resto do globo não tem o direito de opinar sobre o que eles fazem ou deixam de fazer à nossa mãe natureza.

Vou antes desejar-vos um FELIZ NATAL, cheio de doces, prendinhas e confraternização, e viva a era consumista!!! (não confundir de modo algum com a era comunista)

PS: Não vou falar HOJE do Bochechas, mas deixem estar que obviamente um assunto quente como as presidenciais não escapa ao sentido crítico aqui do vosso bloguista... Ainda tenho muitas coisinhas a dizer sobre esse chulo...

14/12/2005
Como compensação do meu atraso, e para provar que consigo dar duas seguidas, deixo-vos hoje mais uma tira... lol

Os velhos hábitos são difíceis de perder. Há muitos muitos anos que desenho a tinta com umas lindas canetas (e caras) que são qualquer coisas como as "Pigma" da Sakura Micron (ou alguma outra ordem de designações que nunca entendi bem.) O facto de existirem em várias espessuras (começando numa muito, muito fina), e de terem um deslizar suave (têm ponta de feltro) faz delas imbatíveis. Só que agora estão cada vez mais difíceis de encontrar. Portanto, hoje em estreia absoluta, desenhei a tira com uma outra caneta, como que a tentar livrar-me da dependência. Só têm numa espessura. Seca rápido o suficiente para não me preocupar muito com o "esborratar", mas não tanto como as Pigma. Não desliza tão bem. Tem um traço fino, algures entre a 2ª e 3ª espessura das minhas queridas Pigma... OK, admito... sou Pigmodependente :P

13/12/2005
Atrasei-me outra vez a actualizar isto! Hum... acho que me estou a repetir...

Uma ode a cronistas, comentadores, bloguistas e palermas afins:
Hoje estava a ler uma "polémica" chamada "ler ou ouvir" de um qualquer tolo chamado José Carlos Oliveira, que por acaso acha que também tem jeito para cronista ou algo assim. E pior que uma criatura dessas, só um palerma dum cartoonista amador a escrever blogs, como toda a gente sabe.
Ora o prezado senhor levanta a questão de se deveríamos ou não dobrar os filmes ao invés de legendar. Porque aparentemente, perdemos a capacidade de reparar em pormenores do cenário, da representação, etc. etc. enquanto lemos as falas. Cita ainda que o dobrar os filmes iria implicar a formação e indústria da "arte" (presumo que do ponto de vista do gerar emprego), e que por último, nós iríamos olhar os filmes portugueses com outros olhos. Ora bem, ora bem...

1 - Eu tenho a sorte de não ter nenhuma deficiência mental que conheça nem nenhum retardamento de processamento de informação. Genericamente, reparo na mesma quantidade de pormenores num filme dobrado (ou original português - ou mesmo inglês sem legendas que também me safo) do que num filme legendado. Ler as legendas ocupa um pequeno espaço da minha mente que não me impede de olhar em simultâneo para o resto do ecrã. Lamento, por aqui não pega.

2 - Perdemos parte da representação... Ora, um suposto realizador de cinema deveria saber que grande parte da arte de representar está na entoação, na colocação da voz, etc. etc. que não sou especialista. E põe a hipótese de substituir o trabalho original dos actores por vozes dobradas, perdendo assim uma imensa parte da suposta representação? Por muito que as dobragens sejam bem feitas, honestamente, o resultado é sempre um monstro desfigurado. Excepto nos desenhos animados, mas aí de certo modo a voz original é também uma dobragem. (E viva o Shrek com sotaque murcão!)

3 - Seria bom investir em indústrias neste país, mas dava jeito que fossem indústrias que sirvam para alguma coisa. Só faltava agora para além de investirmos no inútil, ainda ficarmos como os espanhóis que não sabem falar inglês (cambada de retardados) por dobrarem tudo e mais alguma coisa.

4 - Nós vamos olhar os filmes portugueses com outros olhos quando se fizer cinema de jeito em Portugal. Lamento mas é verdade, o nosso cinema é pobre, mal representado, de argumentos medíocres e com realizações do século passado (eu sei que o século XX não foi assim há tanto tempo, mas quero dizer tipo anos 70... ou pior). Há excepções claro, mas isso nota-se quando os níveis de audiência de filmes portugueses batem vários filmes estrangeiros. E até acontece. Talvez aprender alguma coisa com o cinema de Hollywood em vez de clonar eternamente o espanhol e especialmente o francês ajudasse... E se me sai um erudito qualquer a dizer que Hollywood isto e aquilo, dou-lhe com um pau pelos cornos abaixo. Eu gosto de filmes de todos os géneros e de várias origens, mas diga-se o que se disser, regra geral no que toca a cinema, os americanos "do it better".

Curiosamente, este nosso realizador-cronista começa por citar uma cena do filme "Beleza Americana" (magnífico a propósito) que ironicamente ele apresenta como "American Beauty"... lá se foi o patriotismo todo pelo cano abaixo...

AH PORRA, NÃO À DOBRAGEM E RESPECTIVA DESTRUIÇÃO MACIÇA DOS FILMES (e restantes consequências de atrofio cerebral)

PS: Pior que a praga de cronistas com a mania que podem opinar sobre tudo que populam os nossos mídia, só mesmo aqueles bloguistas com a mania que podem opinar sobre os tipos que opinam sobre tudo...


04
/12/2005
Atrasei-me outra vez a actualizar isto! Eu sei, eu sei, caros 3 ou 4 leitores, as minhas desculpas, mas tive boas razões como passo a explicar a seguir:

OH MY FUCKING GOD!!! THEY DID IT AGAIN!!!

Não, não vou falar da Britney Spears.

Os germânicos Helloween, famosos acima de tudo por terem revolucionado o mundo do heavy metal em 1987-1988 com os álbuns "Keeper Of The Seven Keys" 1 e 2, decidiram voltar à carga 13 anos depois com "Keeper Of The Seven Keys - The Legacy". Uma jogada de marketing, sem dúvida, na tentativa de chamar a atenção sobre si próprios (e não me venham com "voltar ao conceito dos discos originais", porque não importa quantas vezes se diga que eram, os Keepers originais NEM SEQUER eram álbuns conceptuais para começar), e ao mesmo tempo arriscada, porque podia despertar (e despertou!) a ira de alguns fãs que considerem este título uma blasfémia e um ultraje aos anos com Kiske (Michael, SupaRED)/ Hansen (Kai, Gamma Ray).
O álbum deveria trazer este nome? Talvez não. Talvez de facto seja impossível repetir a proeza de 87-88, e portanto é melhor deixar o nome dos clássicos em paz. No entanto, depois de ouvir este álbum várias vezes (eventualmente porque a estratégia de marketing em mim funcionou), cheguei à conclusão que é pelo menos, e sem dúvida, o melhor disco que fazem desde "Better Than Raw" de 1998. E se tivermos em conta que "Better Than Raw" é o meu disco favorito dos 'Ween pós Keepers originais, e que já trago este disco "no coração" há 7 anos (pelo que o disco novo pode ainda precisar de mais algum tempo para o suplantar), e ainda que basicamente se excluirmos "Pink Bubbles Go Ape" e "Master Of The Rings" por serem só medianos, sendo os restantes muito bons ou óptimos, não é de facto um feito a ser considerado pequeno. Duma ponta à outra, "The Legacy" é um álbum muito, muito bom. Sólido, consistente, poderoso, dinâmico, brilhante.
Soa aos Keepers originais? Sem Hansen
, Schwichtenberg, e especialmente Kiske, é difícil. Mas sim, há momentos, e especialmente as tão famosas samples usadas aqui e acolá nas músicas (que uns adoram e outros odeiam, como tudo nesta vida), são bastante reminiscentes dos originais. A música Mrs. God trás um travo a Dr. Stein quando começa. Partilha o conceito? Bom, a música "King for 1000 years" fala no guardião das chaves. A música "Occasion Avenue" começa com excertos das músicas "Eagle Fly Free", "Halloween" e "Keeper Of The Seven Keys". Fora isso, são os Helloween da era pós Kiske, com Andi Deris na voz, a que já nos habituámos. Mas, no seu melhor. Até mesmo quando dão as voltas à sonoridade e passam a ser eles a soar a Gamma Ray (fase Ralf Scheepers), o filho bastardo da banda, em "Get It Up".

No entanto, o que conta mesmo é o resultado final, e não a típica dissecação do disco que tantos críticos profissionais ou amadores e outra reles escumalha afins gosta de fazer como meios de justificar os seus gostos (ou falta deles). E Keeper Of The Seven Keys - The Legacy é um disco brilhante. Não me canso de ouvir! Porra, que é mesmo bom!!!

E com estas e outras, ouvindo repetidamente o mesmo disco, atrasei-me a desenhar a tira desta semana.

(Aos parvos que acreditaram na razão do meu atraso: continuem assim. Aos espertos que não engolem esta justificação nem com molho de tomate: se pensam que vou dizer as verdadeiras razões pelas quais me atrasei, podem tirar o cavalinho da chuva!)

23/11/2005
Estou cada vez mais farto dos media (ou mídia para tentar falar um português mais correcto e actual). Cada vez mais nos aproximamos do modelo americano no que toca a sensacionalismo, por um lado, e o acentuar do célebre pessimismo que já me causa náuseas e mete nojo.

Todos os dias sou bombardeados com sondagens em que me dizem que nós portugueses somos os piores da Europa ou do mundo numa coisa qualquer. Há sempre um estudo brilhante duma mente iluminada para me dizer que eu não presto. Será possível que não haja um estudo qualquer que diga que estamos entre os melhores numa merdinha avulsa? Ou esses estudos não são pura e simplesmente publicados, porque o que vende é o pessimismo e a crítica destrutiva? Nós seremos mesmo os piores em tudo da Europa, como tantos estudos afirmam, ou somente somos piores que os outros países a aldrabar resultados de estatísticas e valores do défice orçamental? Ou será que estas tão na moda estatísticas na verdade muitas das vezes não valem um caracol? Haverá assim tanto rigor nestes estudos brilhantes destas cabecinhas pensadoras que tratam as pessoas por números? Meto as minhas reservas.

Afinal, conheço uma fatia razoável da Europa, e sei ver que em todo o lado se encontram coisas boas e más, coisas melhores e piores que as nossas. Ou tentando ser mais imparcial, e tendo em conta que conheço um número considerável de estrangeiros que residem ou residiram um tempo no nosso querido e pessimista país, já ouvi críticas negativas e positivas de coisas Tugas. Será que como eu, habituado a ouvir falar mal de tudo o que é Luso, o resto do país também ficaria admirado de ouvir uma inglesa, londrina, dizer que o nosso sistema de transportes públicos é muito melhor, mais organizado e pontual que, adivinhem, o de Londres? Não haverá um estudo brilhante qualquer com destaque nos noticiários, a dizer que a nossa gastronomia é das mais ricas da Europa, quiça do mundo? Eu agradecia, e conheço vários estranjas que concordavam e babavam por mais um prato. Ou então, que tal um estudo que diga que os nossos comerciantes são muito mais simpáticos que os romanos, ou então que a nossa vida nocturna bate aos pontos países como a Suécia, Itália ou Alemanha? Por pouco significante que pareça, pelo menos estas eu posso facilmente afirmar (devem haver mais algumas...) e pelo menos era um estudo optimista para variar.

Estou farto destes media destrutivo-sensasionalistas, estou farto destas sondagens e estudos minuciosamente efectuados por uns gajos teóricos cuja necessidade acho altamente questionável. Outro exemplo para além das célebres sondagens ou estatísticas puras e duras, são aqueles em que os iluminados estudiosos tiram de seguida as suas brilhantes conclusões. Fica um exemplo que li recentemente: Alguém elaborou um estudo onde se concluiu que as mulheres bonitas são mais férteis. Esta, caros amigos, é digna de um Nobel. Foi feito um estudo qualquer com mulheres estereotipadamente belas e outras estereotipadamente feias, num universo de gajedo na ordem das 60. Como uns meses depois a taxa de prenhes entre as belas foi superior à das feias, estes brilhantes (começam a faltar-me os adjectivos...) "cientistas" concluíram não só que as mulheres belas são mais férteis, como também que a beleza era uma "arma" biológica para atrair os machos e consecutivamente a reprodução. E finalmente, ainda adicionaram que a maquilhagem era um substituto artificial de simulação de fertilidade (ou seja, as gajas enganam-nos parecendo mais bonitas, porque nós no fundo (e claro inconscientemente, porque fora do reino destes supra-evoluídos estudiosos somos todos animais semi-irracionais que agem por instinto) queremos é conceber filhos.

Não vou comentar o facto óbvio da beleza ser um conceito muito relativo por muito que Hollywood aos anos nos tente uniformizar, e não me venham com o outro brilhante estudo das caras simétricas serem o principio básico da beleza (porra, há gajas com duas metades de cara exactamente iguais, e igualmente horrendas). Não vou também entrar no campo de que a malta gosta de sexo só porque é um impulso irracional para procriar e afins e mais a PUTA QUE OS PARIU quando começam a tentar reduzir o sentimento do amor a números e fórmulas e o raio que os parta (aliás, estes "cientistas" que tentam dissecar em fórmulas o que o amor é nem podem é fazer o menor puto de ideia do que é esse sentimento). Mas por favor, algum deste iluminados me explique como raio é que aparecem aquelas tipas da província, com 130kg e um bigode de me fazer inveja, a ter 30 filhos, por vezes aos 5 de cada vez??

Ou talvez a pergunta realmente proeminente seja: Mas quem raio são os CRETINOS dos IMBECIS que financiam estas merdas???

16/11/2005
Somos criaturas complicadas. Ambicionamos a mudança, para depois sentirmos saudades do que perdemos. Porque nunca damos valor ao que temos, enquanto temos? Porque é que nunca estamos bem onde estamos? Porque é que normalmente o antever de algo bom, ou as histórias contadas sobre isso, são melhores que o "isso" em questão? Porque é que quando algo corre mal, parece que tudo o resto à volta desata a correr mal também? O ser humano é um bicho complicado... devia ter nascido lobo...


08
/11/2005
"Come on kids unite and let us feel the flame of rage
Together we are strong so let's tear up this golden cage
We shall overcome repression and their straining strings
The shackles have to fall and we will be metallian kings
Raise your fist, raise your fist, raise your fist high!"

Running Wild

02
/11/2005
Recomendações MundoLouco: Já não é novo, mas para os apreciadores de banda desenhada que possam deitar as mãos na fantástica série "Strangers In Paradise", um história urbana sobre amor, sexo e relações na actual sociedade, recomendo. Muito, muito bom!

30/10/2005
À primeira vez eu aguento, à segunda salta-me a carica...
Costumo ver o VH1. Passa bom rock, bom pop, bom metal, um pouco de tudo, variado, e com um gostinho pelos anos 80 que eu tanto aprecio. Mas quando os americanos responsáveis por este canal (que pertence à MTV, para quem não saiba) começam a fazer documentários sobre heavy metal, estragam tudo.

Ora bem, primeiro foi um documentário sobre o heavy metal nos anos 80. Até aqui tudo bem. Só que, por muito que eu tivesse ouvido bandas americanas citar que os media lá do país dele não faziam ideia do que era o heavy metal, nunca pensei que fosse tão extremo. O documentário deve ter durado hora e meia ou assim, e penso que passaram por lá cerca de 5 minutos de bandas de metal, nomeadamente, Iron Maiden, Judas Priest, Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax. Parece alguma coisa, não tivesse sido abordado como algo menor no "verdadeiro mundo VH1 do heavy metal"... Amigos, por muito que o termo tenha tido origem em Led Zeppelin, Zeppelin não é heavy metal (muito menos dos anos 80...) e pior ainda, Kiss, Twisted Sister, Poison, Guns n' Roses, AC-DC, e porra, BON JOVI não são heavy metal. Não tenho nada contra estas bandas, até gosto bastante de algumas, mas raios, se temos que colar etiquetas às coisas, ao menos colemos as certas. Para a próxima vez, amigos do VH1, se quiserem citar bandas de heavy metal, consultem www.metal-archives.com . E se não estiver lá, acreditem, não é heavy metal. Metal nos anos 80, para além das já citadas bandas de metal a sério que deveriam ter mais destaque, deveriam incluir Manowar, Helloween, Kreator, Celtic Frost, Mercyful Fate, Destruction, Saxon, Sepultura, Rage, Crimson Glory, Queensryche, Bathory, Candlemass, Running Wild, Testament... E quem consegue ficar hora e meia a falar supostamente sobre o género e nem citar estas bandas, nitidamente não percebe a ponta dum corno do assunto.

Mas o pior... Hoje decidiram passar um programa sobre os piores 40 momentos do heavy metal... título só de si promissor... e claro, para além de metade ou mais destes momentos não terem nada a ver com metal (mesmo assim, algum progresso desde o último documentário), foi uma das amostragens do mais quadrado que o mundo do metal poderia ter, e que felizmente, com o passar dos anos, já não tem, seus americanos retrógradas.

Portanto, eles iam passando os tais momentos muito maus do metal, que depois eram comentados por alguns tipos, entre os quais tipos dos L.A. Guns (hello??), Warrant (hello???), alguns idiotas denominados "metal experts" (mas que merda é essa??), o (por muito bom guitarrista que possa ser, alguém tinha que o dizer mais cedo ou mais tarde, o grande atrasado mental do) Zack Wylde (seria bom que tivesse lá alguém que ao menos soubesse falar, bolas), e para muita pena minha, uns tipos que até respeito, Ronnie James Dio e Nick Menza (ex-Megadeth)

Ficam algumas pérolas do programa...
"Ai que horror... o Bruce Dickinson pratica esgrima, escreveu um livro infantil e pilota aviões... que coisa tão não-metal" (sem comentários)

"Ui a tragédia... um disco dos Kiss tem toques de disco sound... A música "I Was Born For Loving You" foi uma machadada para os fãs" - Parem de ser quadrados. Eu nem sou fã de Kiss, mas porra, ou se gosta da música (é o meu caso) ou não se gosta, parem lá com esse cliché idiota do "é mais metal ou menos metal".

"Jethro Tull ganhou um Grammy na categoria heavy metal... nunca mais confio nos Grammies (mas essa merda alguma vez foi referência para o que quer que seja no mundo do heavy metal?) Tull não pode ser metal porque o vocalista toca flauta" - MAS VOCÊS ALGUMA VEZ OUVIRAM SKYCLAD, CAMBADA DE INERGUMES???

"Van Halen com David Lee Roth tudo bem, com Sammy Hagar tudo bem, mas... Extreme? Não é nada metal!" - Bom cambada de cretinos, Van Halen NUNCA foi metal, pelo amor da santinha, Van Halen é Hard Rock, e bem AOR (leia-se comercial e soft) nos dias que correm, já os Extreme, sendo uma fusão de Hard Rock com Funky e METAL, sempre andaram bem mais próximos... Há mais Extreme que o More Than Words... E depois, por muito que eu também ache que o Gary Cherone não é o frontman indicado para Van Halen (pura e simplesmente não combinam), tecnicamente falando é melhor que o Sammy Hagar, e bem melhor que o David Lee Roth, que mesmo assim continua a ser o melhor frontman para a banda... portanto parem de achincalhar o homem.

"Deep Purple com orquestra? Scorpions com orquestra? Isso não é nada metal!" Cambada de obtusos, eu arranjo-vos mais bandas bem mais metal que se fundiram com orquestras e cujo resultado é muito bom. Aliás, uma das únicas coisas de jeito que os Manowar devem ter dito na vida foi "Wagner foi o verdadeiro pai do heavy metal", e fora isso, foi a fusão do metal com outros géneros que fez o estilo sobreviver, desde o início dos anos 90... Contrariando assim o comentário dos Metallica, também incluído neste piores momentos, de que o heavy metal morreu... amigos, esse presságio não vem de 96 quando os Metallica se lembraram de o dizer, vem do início da década de 90, e não se concretizou, mas mais uma vez só prova que os media americanos sobrevalorizam tudo o que os Metallica dizem, quando é um facto que há mais de dez anos que eles não dizem nada de jeito (e a propósito, o último álbum, supostamente mais "metal" que o polémico "Load" de 1996, porra, é a maior merda que eles já fizeram na vida, portanto prefiro que os Metallica não façam metal tipo Load, que até não é um mau disco, do que esta coisa do St. Anger que eles gravaram.)

E por último... "O Vince Neil (Motley Crue) a fazer a dança das galinhas?? Que coisa tão não-metal!" (este foi o número 1 do programa) - Amigos e caros cretinos, assim chamados de "metal experts" (mas que raio de título é este, por todos os santinhos em que não acredito...), tirem as palas da frente dos olhos que vou-vos contar uma novidade... Em 1987 os Helloween começaram por desmistificar a coisa, e desde então o mundo inteiro aceitou-o... Os gajos que tocam heavy metal são pessoas exactamente iguais às outras, comem, bebem, dormem, cagam, mijam, têm filhos, choram, apaixonam-se, vêm filmes lamechas, e porra, BRINCAM E FAZEM PALHAÇADAS como qualquer pessoa com uma pinga de sentido de humor, coisa que nitidamente os anfitriões deste programa não tinham. Não são nenhuns monstros que passam o dia a dormir num caixão antes de tocar a musica do demo deles. O anúncio que o Sr. Alice Cooper fez, vestido com um casaco de lã e com um espanador, foi justamente a gozar com os vossos estereótipos, cambada de mentecaptos!!!

É por haver ainda gente assim no chamado "mundo do heavy metal", coisa elitista e pirosa, que tenho um enorme prazer em não pertencer a esse mundo... e no entanto, já toquei numa banda de heavy metal, ouço heavy metal quase todos os dias, amo a música e provavelmente sei mais sobre o género que aquelas abéculas que apresentaram o programa que alguém se lembrou de chamar "experts"... VH1... passem os video-clips, mas de resto... tenham juízo!

24/10/2005
Um grande abraço:
A todos os baldas deste país
A todos os bandidos filhos-da-mãe deste país
A todos os cromos raros deste país
A todos os fúteis deste país
A todos os hipócritas deste país
A todos os chulos deste país
A todos os corruptos deste país

Porque este país está cheio de gente assim, e no entanto, adoro a minha pátria. Só pode querer dizer que tenho um gosto bizarro por todo este tipo de gente que nem a mim mesmo normalmente admito.

Portanto, um grande abraço para o meu pequeno país podre e corrupto que eu tanto amo. VIVA PORTUGAL!

22/10/2005
Não sou muito de ver televisão e cada vez menos, a um ritmo proporcional ao quanto a nossa TV se embrutece. Mas, e apesar de ainda há pouco tempo ter comentado entre amigos que sem TV Cabo deixava mesmo de ver televisão, a verdade é que os próprios canais da cabo parecem estar-se a degradar, e acabo por encontrar refúgio frequentemente num canal aberto, que há pouco tempo atrás quiseram extinguir (e felizmente falharam): a 2:. O segundo canal público deita dez de avanço no que toca a cultura, diversidade, e humor inteligente a todos os outros canais generalistas portugueses, e prova disso é o humor mordaz e brilhante do programa que acabei de ver, "A Revolta dos Pastéis de Nata", desta feita dedicada ao tema "Reality Shows".
Muito bom momento televisivo. Não vou para aqui fazer o relato do programa (quem quisesse que o visse) mas, apesar de o tópico ser cliché e aparentemente esgotado, conseguiram boas tiradas sobre o assunto, do género: "Quem vê reality shows tem falta de vida própria e então precisa de ver a vida dos outros" ou "Haverá um lobby em Portugal para a estupidificação em massa?"
Não quero vir para aqui armar-me em pseudo-intelectual ou poço de cultura (que garantidamente não sou), mas não papo o tipo de programa que foi criticado nos "Pastéis", e acho incrível que possa haver tanta gente a consumir aquilo, fico perplexo o interesse que as pessoas demonstram sobre algo tão óbvio, básico e rudimentar como essas tretas das "companhias" (devo ter visto ao todo, entre zappings, 5 minutos, e sei que já vi o suficiente para saber tudo o que preciso sobre aquilo) ou dos "infiéis", sendo que conheço algumas pessoas que consomem isso e curiosamente, não são pessoas de QI reduzido. É um fenómeno que me ultrapassa. Mas na realidade, eu sempre levei uma vida (e com orgulho) anti-modas, e não apenas para ser do contra: de um modo geral, aquilo que vira moda, tem que ser algo básico e rudimentar para poder agradar a um número significativo de pessoas e poder ser chamado de tal, e eu, também de um modo geral, não gosto de coisas básicas e rudimentares.

Bem haja.


18
/10/2005
Domingo semi-radical para este vosso humilde anfitrião. Peguei na bicicleta, enfiei-a no carro, fiz-me à estrada e fui até à Amora para uma passeata de 40km, ida e volta até à Lagoa de Albufeira (ou quase, vedaram-nos o último km de circuito). E digo "semi-radical" porque para além de serem trilhos relativamente fáceis até para um maçarico do BTT como eu, o facto de estar integrado num grupo de trezentas e tal pessoas transformou o passeio numa molhada de gente quase a atropelarem-se uns aos outros.
No entanto, foi no geral uma experiência gira, e ficam aqui os meus agradecimentos ao Clube de Canoagem e à Câmara Municipal da Amora pela organização do evento, é bom que ainda existam destas iniciativas no país, apesar da crise, pessimismo e decadência geral. Mas para a próxima, vou num grupo de pessoas substancialmente mais reduzido lol!


11
/10/2005
E novamente... GAMMA RAY GAMMA RAY GAMMA RAY!!! Lol!
Fui, praticamente de propósito (ok, ok, MESMO de propósito), até ao Porto para ver a lendária banda germânica do ex-fundador dos Helloween, Kai Hansen. Este concerto veio-me trazer uma séria dúvida: Eu vi os Gamma Ray há em 97 na tour do Somewhere Out In Space, e agora não sei bem qual dos dois foi o melhor concerto que vi até hoje. LOL!
Mas honestamente, Gamma Ray são um espectáculo ao vivo. Primeiro, os gajos concerteza comem pilhas alcalinas ao pequeno-almoço, tanto em estúdio como ao vivo. E depois... Kai Hansen. Acho que ninguém dá de facto muita atenção ao resto da banda, apesar da extrema competência que têm. E os gajos são simpáticos em palco, especialmente o segundo guitarrista Henjo Richter e o baterista Daniel Zimmermann (o baixista Dirk Schlächter já destoa um bocadinho do resto), mas ninguém consegue bater a simpatia, boa disposição e o carisma da lenda viva que é Kai Hansen. Se eu já vi alguém a ter prazer a tocar ao vivo, foi Kai, e estamos a falar de um concerto mini, no Hard Club, para cerca de 500 pessoas. Ficou exactamente a mesma opinião que tive há 8 anos quando os vi no Seixal... Os Gamma Ray dão concertos como se estivessem a ter tanto prazer em tocar como nós a ouvi-los, e a única distinta diferença entre a banda e o público é o facto de eles estarem em cima do palco e nós não. Kai manteve o sorriso simpatico e modesto mesmo quanto o públicou o venerou, literalmente, como a um deus, e exprimiu ao longo de toda aquela verdadeira festa de heavy metal  a mesma alegria, felicidade e optimismo que transmite na sua música. Havia um número notório de espanhóis (galegos) no recinto, o que demonstra que os Gamma, não sendo uma banda de top de vendas, têm o seu auge de seguidores em países tão distintos como a Espanha, o Brasil e o Japão. Tocaram um setlist de 16 temas, que não vou listar exaustivamente, mas de onde destaco Land Of The Free, Rebellion In Dreamland, Somewhere Out In Space, a linda balada The Silence, o tema do novo álbum Fight (excelente em disco, magistral ao vivo) e o tema de encerramento, o clássico dos Helloween I Want Out. Um concerto magnífico, em ambiente quase familiar, sem a mínima falha técnica por parte da banda. Da próxima vez, ah bolas, estou lá! Lol!

Em segundo plano (temos que dar a devida ordem de importância às coisas), aproveito para exprimir a minha alegria por saber que o cretino, digo, o Carrilho perdeu as eleições em Lisboa. Ainda resta alguma justiça no mundo, e aquele atrasado mental começou a senti-lo. Agora só falta cair-lhe uma bigorna na cabeça.

PS: Bairrismos à parte, que eu nem sou disso, o Porto é uma cidade lindíssima. Das vezes que visitei anteriormente a cidade nunca tinha tirado o devido tempo para pura e simplesmente apreciar a vista e o ambiente da zona da Ribeira, tanto na margem do Porto como de Gaia, e acreditem, vale bem a pena passar lá um fim de semana.
 

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