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BLOG MUNDOLOUCO
(ou - Filosofias escritas nas entrelinhas do Papel
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03/10/2005
Meia centena de tiras depois chegam... aplausos aplausos... os
Cromos Maus!!! Desbundem!
27/09/2005
Os 10 melhores álbuns de heavy metal de todos os tempos,
segundo a opinião do vosso humilde anfitrião, para quem possa
interessar... por ordem cronológica, porque de facto não consigo
evidenciar uns dos outros.
01 - Iron Maiden - The Number Of The Beast
(1982)
Alguns puristas já se deverão estar a perguntar como posso começar pelos
Maiden, onde estão os Led Zeppelin ou os Black Sabbath nisto tudo.
Outros dirão que o álbum Seventh Son Of A Seventh Son merece mais
estar aqui que o Number Of The Beast... A verdade, é que Zeppelin
e Sabbath começaram tudo isto, mas não eram ainda heavy metal na
verdadeira ascensão da palavra, e o Seventh Son, sendo no geral
um album mais sólido, não pode substituir a força de temas como
Hallowed Be Thy Name, The Number Of The Beast, Run To The
Hills ou Children Of The Damned... e além disso, este disco
marcou toda a geração de musica pesada de uma forma que Seventh Son,
por muito marcante que tenha sido, já não chegou a tempo de fazer... Sem
dúvida, e não me venham com Judas Priest, este foi o disco que
revolucionou o heavy metal até aos dias de hoje.
02 - Metallica - Ride The Lightning
(1984)
Alguns apontariam para Master Of Puppets, mas Ride é sem
dúvida um álbum mais coeso. E veio antes, a revolução do thrash
foi feita aqui, e apenas continuada em Master. Marcou a música
pesada para sempre - tanto ou mais que Number Of The Beast, e
continuará para sempre um clássico. Desde a abertura rasgada de Fight
Fire With Fire, ao épico Creeping Death, o melancólico
Fade To Black ou o instrumental Call Of Ktulu, é o melhor
disco que os Metallica já fizeram - mesmo que 2 temas - Trapped Under
Ice e Escape - não estejam à altura dos restantes.
03 - Helloween - Keeper Of The Seven Keys, Part II
(1988)
A terceira grande revolução da música pesada chega com os germânicos
Helloween. Depois de um início musicalmente mais "ríspido" com Walls
Of Jericho, e com a entrada do vocalista Michael Kiske, a saga dos
Keepers traz uma aragem de ar fresco ao mundo de cabedal preto,
caveiras e "caras de mau" do heavy metal - Os Helloween
arriscaram ser bem-dispostos, engraçados, vestir cores berrantes, e
cantar sobre coisas felizes ou cómicas - e foi um sucesso. Keeper 2
foi o apogeu disto, e por muito que os Helloween tentem reviver este
período (vai sair a parte 3 depois destes anos todos) - não acredito que
alguma vez superem esta magnífica obra de arte. Que o comprovem Eagle
Fly Free, Rise And Fall, Dr. Stein ou I Want Out.
04 - Manowar - Kings Of Metal
(1988)
Os Manowar são o maior cliché que o heavy metal pode ter - todos
os estereótipos sobre o género que possam ser feitos (excepto tretas
manhosas de satanismos) estão representados por esta banda - um grupo de
"guerreiros nórdicos" (dos EUA) de espada em punho, cavalgando Harley
Davidsons e pregando o heavy metal, o sexo e a cerveja. E eram os
melhores no que faziam, até que acabaram por se transformar numa paródia
de si próprios. Kings Of Metal é o disco que representa o auge
dos Manowar na sua fase de ouro, tanto em composição como em produção, e
que levou inúmeras bandas a tentar a clonagem... especialmente a partir
da segunda metade da década de 90.
05 - Crimson Glory - Transcendence
(1989)
Algures entre o heavy/ speed metal progressivo iniciado pelos
Queensrÿche e o hard rock melódico, esta banda da Flórida criou
em Transcendence uma espécie de disco perfeito. Diferente.
Inovador (os solos estridentes, a batida etérea da bateria digital). Não
há falhas neste disco. E a voz... Midnight é um dos melhores vocalistas
de rock de sempre, com um alcance vocal impressionante (não faço ideia
quantas oitavas consegue o homem percorrer), um timbre único, e um
feeling... indescritível! Queira-se o frenesim de Red Sharks,
a poesia de In Dark Places, o épico de Where Dragons Rule,
o romântico de Burning Bridges ou o etéreo de Transcendence,
este disco tem de tudo... magnífico! Nunca me canso de ouvir este
espectacular álbum.
06 - Sanctuary - Into The Mirror Black
(1990)
Antes do se chamar power metal aos inúmeros clones de Helloween,
quando a definição do género era a fusão da agressividade do thrash
com a melodia do heavy, existiram, principalmente nos EUA,
inúmeras bandas do género. E antes de se separarem e formarem os
Nevermore, os Sanctuary foram, junto com os Helstar, o ex-libris do
género. Em momentos a roçar a melancolia do doom a la
Candlemass, Into the Mirror Black é um dos primeiros e maiores passos da
transição do power metal para a década de 90. E basta ouvir
Future Tense, Taste Revenge ou Seasons Of Destruction
para perceber porquê.
07 - Megadeth - Rust In Peace
(1990)
Dave Mustaine e companhia já andavam a tentar há uns bons anos... mas
por muito que os discos anteriores fossem bons, a ambição da banda só
seria conseguida com Rust In Peace. Talvez pela entrada do
baterista Nick Menza e do deus da guitarra Marty Friedman (a música
Holy Wars... que solo!!!) O que é facto é que Dave queria fazer algo
melhor que o thrash dos Metallica (de onde foi corrido) e ao
ouvir Rust In Peace só se pode concluir - fez! É a fusão perfeita
entre agressividade e melodia, entre os solos psicadélicos de Mustaine e
os ultra-melodiosos de Friedman, a batida de tirar o fôlego de Menza, o
baixo marcante de David Ellefson, e a voz, tecnicamente limitada mas
sentida, os rosnares únicos de Mustaine. Holy Wars, Hangar 18,
Tornado Of Souls e Rust In Peace... Polaris, são clássicos
do género, que nem o ultra-polido sucessor Countdown To Extinction
conseguiu superar.
08 - Iced Earth - The Dark Saga
(1996)
Andei indeciso entre escolher este disco ou repetir os Maiden com
Seventh Son Of A Seventh Son. Ambos são discos conceptuais. Iced
Earth é altamente inspirado em Maiden, uma espécie de versão moderna,
mais thrashy, da clássica banda de Steve Harris. O que me fez
optar? O vocalista Matt Barlow. Talvez Bruce Dickinson seja tecnicamente
mais completo, mas o feeling de Barlow é único, talvez só
comparável com Midnight dos Crimson Glory. Com a diferença que Barlow
não domina os agudos mas sim os tons baixos. Dono de uma voz profunda e
límpida e de um sentimento que parece vir de quem teve o coração
arrancado e o segura nas mãos, Barlow é um dos meus vocalistas favoritos
de sempre. Acompanhado da guitarra cavalgante de Jon Schaffer (a la
Steve Harris) e inspirados na banda desenhada Spawn, fizeram um
disco em tudo superior ao que serviu de fonte de inspiração para as
letras - aliás, Barlow até faz Spawn parecer muito mais trágico
que a banda desenhada de Todd McFarlane. E quem tiver dúvidas, é ouvir
temas como I Died For You, The Hunter, Vengeance Is
Mine ou a magistral A Question Of Heaven para as mesmas se
dissiparem...
09 - Rage - End Of All Days
(1996)
Rage é a minha banda de heavy metal favorita. Não sei bem
explicar porquê, nenhum dos elementos (e já tiveram muitos, só o
vocalista/ baixista Peavy Wagner permanece) é um dos meus músicos de
topo. Mas na soma das partes, os Rage são perfeitos. Peavy pode não ter
a melhor voz de sempre, mas tem todo o sentimento que precisa. E compõe
canções, na verdadeira ascensão da palavra, como ninguém. A melhor
definição para Rage é "mistura de crush com melodia" - Peavy
escreve álbuns atrás de álbuns de músicas pesadas e no entanto tão
"orelhudas" como muitas canções pop. Até conhecer Rage nunca pensei que
uma banda tão pesada pudesse ser tão melódica - mas o facto é que em
End Of All Days, o apogeu da conciliação peso/ melodia, os Rage
conseguem ser ainda mais melódicos que os também germânicos Helloween.
Este disco é extremamente coeso e sólido, mas talvez se deva começar por
ouvir Higher Than The Sky, Visions, Let The Night Begin,
Talking To The Dead ou Fading Hours... e então passar para
os restantes temas dos 14 que compõem este brilhante àlbum.
10 - Nevermore - The Politics Of Ecstasy
(1996)
Por último, mas em nada inferior, a última verdadeira revolução do
género. Politics of Ecstasy é um disco intenso. Politics of
Ecstasy é um disco pesado, provavelmente, o mais pesado da minha
coleção. Politics Of Ecstasy é psicadélico, de tal modo que nos
deixa anestesiados ao ouvi-lo. Politics Of Ecstasy é dissonante,
um dissonante digno de death metal, não fosse a voz magnífica de
Warrel Dane (ex-Sanctuary) trazer a melodia necessária para
contrabalançar, não fossem as estruturas das músicas trazer a cadência
do power metal para tornar o disco tão revolucionário, tão
progressivo, tão... fusão. Politics é uma fusão de tudo o que já
foi feito no metal - agressividade, melodia, anti-melodia,
sentimento. E tão bem conseguido. É-me difícil descrever Politics.
Não gostei do disco da primeira vez que o ouvi. Nem da segunda. Mas por
alguma razão, continuei a ouvi-lo, até entrar no mundo bizarro descrito
na visão alucinada de Warrel Dane. E tornou-se um dos meus discos
favoritos de sempre. Ouçam. Muitas vezes. E se querem um tema para
começar, talvez o calmo e melancólico Passenger, ou o longo épico
The Learning (a minha música favorita de Nevermore) sejam o
indicado.
Alguns estarão à espera de outras bandas. Não, não consigo dar assim
tanto valor aos Slayer, por muito que se fale do Reign In Blood.
Nem mesmo Vulgar Display Of Power dos Pantera. E também o
Beneath The Remains ou o Arise de Sepultura estão longe de
conseguir. Talvez seja um som muito caótico para o meu gosto - mas acho
que quando o único sentimento que se exprime é raiva, estamos perante
uma banda de conceito limitado. Logo, nem vale a pena falarmos de
géneros mais extremos que o thrash. Também não consigo incluir
Judas Priest - talvez porque nunca gostei da voz do Rob Halford, ou
talvez porque o género que a banda faz foi inúmeras vezes batido pelos
Maiden ou pelos Manowar. E os clássicos Venom - sim, revolucionaram -
mas de uma forma muito tosca para se poderem sobrepor aos aqui
presentes... uma espécie de Sex Pistols do metal... boas ideias, pouca
capacidade de as concretizar (e bolas, uma voz horrivel). Por fim,
Mercyful Fate... gosto muito desta banda, mas... ainda teria que me
lembrar de mais uns discos até chegar ao King Diamond e ao clássico (por
vezes sobrevalorizado) Don't Break The Oath...
Alguns perguntam - porque razão param os "melhores álbuns" em 96 -
simples. Porque a partir daí, e até aos dias de hoje, o género chegou a
um ponto de saturação tal que nada consegue superar o que já foi feito
(tenho uma trabalheira a arranjar discos novos que goste...!) - ou
então, estou pura e simplesmente velho e quadrado.
21/09/2005
De volta das minhas férias pela Europa (Munique, Viena, Praga,
Dresden), e de regresso ao dia-a-dia laboral, bem a tempo de me voltar a
meter no meio de engarrafamentos de trânsito e de assistir a deploráveis
debates à laia das eleições autárquicas. Boa onda, porque estou numa de
dissertar política, e para os poucos com pachorra para ler tais coisas,
aqui vai testamento...
Ora chegámos pois a tempo de mais uma disputa política, desta
feita para as câmaras municipais e afins, onde como é normal impera
Lisboa e os "grandes" PSD e PS. Eu nem moro em Lisboa - na cidade, pelo
menos, mas trabalho lá e frequento o sítio, portanto obviamente é algo
que me preocupa, a modos que. E portanto, quando dei com um debate na TV
entre os candidatos de peso - o hipotético repetente Carmona Rodrigues e
o ex-ministro da cultura Fanhoso Sopa-de-Massa, digo, o Maria Carrilho,
tive que dispensar uns minutos para assistir ao acto, que afinal se iria
revelar uma espécie de tragédia Grega de segunda qualidade.
Não vou entrar com rodeios. Não é que eu tenha propriamente uma
cor política, mas do mal o menos sempre simpatizei mais com a base
genérica do PSD - Centro-Direita, Capitalismo moderado, ou seja lá o que
eles forem. Sou assumidamente um Cavaquista (o homem tirou-nos da
ressaca Salazariana, diga-se lá o que se disser!) Não gramo os
Democratas-Cristãos, porque os acho quadrados, e mais a mais até sou
ateu (apesar de, confesso, punha alguma fé no Monteiro), não curto os
Comunistas, porque os acho obtusos, não posso com os Bloquistas, porque
os acho uns rebeldes sem causa ridículos, surreais e absurdos. Além
disso, diga-se o que se disser, ninguém me tira da cabeça que o Bloco é
um partido de paneleiros e drogados - afinal, é nestes meios que eles
são famosos. Acho que seria capaz de votar PS, se alguém de jeito
assumisse a liderança do partido, o que parece ser uma incapacidade
deles já desde o tempo em que quem mandava era o traficante de diamantes
africanos, digo, o Mário Soares.
E então lá se depara aqui o Nando com um quase ininteligível debate
entre o gajo Carmona, de quem se vê pouca obra mas afinal o gajo foi só
substituir o outro gajo Santana, e o gajo Carrilho, mais famoso por ter
casado com a Bárbara Guimarães, bem boazona por sinal, do que
propriamente por algo que tenha feito na política (aliás, a mulher é sem
dúvida a melhor arma dele na campanha, de cegos que somos). Dizem as
más-línguas que entre 2000 e 2001, a senhora Bárbara andou a receber
1000 contos por mês para apresentar um programa de 5 minutos na RTP,
supostamente cultural (como se alguém na realidade desse atenção a algo
para além das mamas dela sob aqueles decotes baris que ela usa), tudo
isto financiado pelo ministério da cultura. Más-línguas, claro. Eu
consigo bem perceber que um homem faça algumas loucuras para conquistar
uma mulher daquelas - em prole da cultura, claro.
Ora portanto tínhamos um gajo Carmona, com poucos e abstractos
argumentos, mas sereno e educado, e um gajo Carrilho que não deixava
mais ninguém falar e no final até recusou um aperto de mão ao
adversário, o mal educado. Por estas e por outras é que este país está
como está. Eu não gosto nem desgosto particularmente do Carmona,
conheço-lhe pouca obra, mas pelo menos o tipo é um gajo com postura.
Quanto ao Carrilho... Bom, aqui a conversa vai começar a "descarrilhar".
Eu não sou de fazer opiniões profundas quando só conheço as pessoas à
superfície, mas em raras ocasiões acontece. Nestas raras ocasiões, que
saiba nunca me enganei (sou ou não sou Cavaquista, hum?). E eu não gosto
do Carrilho. Se pudesse votar em Lisboa, até no Bloco era capaz de votar
só para não votar nele. E não é propriamente porque o gajo tenha uma
cara que parece saída de um filme de terror classe B dos anos 50, nem
porque têm aquela voz irritante que me perturba os ouvidos, com aquela
péssima dicção e o falar empapado de quem tem duas colheradas de Cerelac
na boca. É mesmo porque o gajo deita cá para fora, pelas expressões,
maneira de falar, conteúdo das frases, atitudes, etc. e tal que é um
hipócrita sem escrúpulos, um gajo sem moral, capaz de vender a própria
mãe, um daqueles vermes que se morde a língua morre envenenado. Posso
estar enganado, claro. Mas olho para o gajo e a única coisa que me vêm à
cabeça é "filho-da-puta". Vá-se lá saber porquê, e afinal, já estou tão
habituado a ver o país governado por filhos da puta, que não devia
estranhar só porque este é mais óbvio. Mas o gajo dá-me azia, revira-me
o estômago, e eu não posso com ele. Embirrices...
Mas no que toca à campanha, e em particular os belos cartazes que por
estas alturas nos entopem a cidade e nos esvaziam os bolsos, tenho que
admitir que o departamento de marketing do PS fez um trabalho muito
melhor. Concorde-se ou não com elas, os cartazes do Carrilho apresentam
briefings de propostas e soluções. O que é alguma coisa. Já o "Dar a
cara por Lisboa" do Carmona é no mínimo infeliz. Eu quero lá saber da
cara do gajo, quero saber mesmo é o que ele quer fazer pela capital.
Desculpem-me, mas eu acabei de vir de Munique, onde se sente o ar o
perfume da civilização (no bom sentido) - organização, higiene, civismo
e reciclagem. Depois disto, tornou-se ainda mais gritante que Lisboa
precisa de mais que uns "retoques". Mas nisto ninguém aposta.
Aliás, até porque é dispendioso e altamente anti-popular reformular a
cidade da maneira que ela precisa. Ah pois, é uma pena, mas grande parte
de Lisboa foi pensada com os pés (acho que até estou a exagerar ao usar
o termo "pensada") e agora é o caos que nós conhecemos. Parte dos
bairros históricos, assim chamados porque tem pinta, nunca mais vão
passar de barracos velhos a cair de podre por dentro e por fora mas
ninguém tem tomates para assumir que se devia deitar uma parte daquilo à
cota zero, ao invés de se fingir que se renova a cidade. E a outra
parte, a ainda grande área histórica de Lisboa que vale a pena
preservar, para isso ninguém se lembra de uma brilhante ideia para o
fazer e ainda lucrar com isso. Afinal, em Lisboa é muito mais fácil
dizer que os carros é que são a mais, apesar do nosso sistema de
transportes públicos ainda ser uma piada, e portanto, ao invés de
assumir o inevitável e começar de vez a melhorar as infraestruturas,
inventam-se mais artimanhas airosas e esquemas manhosos para tirar os
carros da cidade. Lamento desiludir-vos, caros iluminados
anti-automóvel, mas eu moro na linha de Sintra, e por experiência feita,
sei que demoro o dobro do tempo a chegar ao meu emprego em Lisboa de
transportes... mas se um bando de mentes iluminadas fez o estudo e me
diz o contrário, devo ser eu que estou errado... afinal, se eu não moro
ao lado de uma estação de comboios e trabalho ao pé de outra de modo a
que este transporte se torne o mais rápido, a culpa é só minha.
Estou farto destes políticos que me culpam a mim por tudo e por nada. Eu
injecto-lhes todos os anos uma brutalidade de dinheiro ganho com o meu
suor, em IVA, IRS, imposto automóvel e mais todas as outras taxas que
sempre que podem se lembram de aplicar. Tenho a certeza absoluta de que
nem pouco mais ou menos usufruo de metade do dinheiro que lá meto. E no
entanto, por alguma razão bizarra, quando o estado gasta mais do que
tem, a culpa parece ser minha. Se eu gastar mais do que tenho,
executam-me a hipoteca da casa e penhoram-me o pouco que tenho lá
dentro, se um administrador da minha empresa der prejuízo, vai para o
olho da rua, mas no governo, quando sucessivos líderes fazem merda,
aumentam-se os impostos. Viva a democracia! De cada vez que recorro a um
serviço público, sei que me aguardam horas de espera, mau atendimento e
um serviço ineficaz, porque caí no erro de pagar antes - afinal, eles já
têm a minha guita, e sabem que vão continuar a ter.
É fantástico, mas depois de 5 anos a trabalhar na zona da bela aberração
a que chamam Alta de Lisboa (um lobbie jeitoso, a propósito), tornou-se
cada vez mais transparente que neste país rende mesmo é ser malandro e
preguiçoso. Quero dizer, eu que trabalho e pago os meus impostos sou mal
tratado por tudo o que pertence ao estado como se tivesse feito mal a
alguém, os nossos idosos que recebiam misérias por trabalhos árduos "mas
honrosos" no tempo do Salazar continuam a receber misérias agora que mal
lhes dão para comer quanto mais para aceder ao nosso vergonhoso sistema
de saúde (parece que os medicamentos vão aumentar outra vez), e vários
vivem em casas a cair de podre nas "zonas históricas" de Lisboa e afins,
mas para onde se canalizam os poucos fundo que temos? Passadores de
droga que moram em habitações sociais a troco de rendas insignificantes,
pagas com o dinheiro do tal rendimento mínimo que provém dos meus
impostos, que se for preciso ainda pregam uns tiros em pessoas que
trabalham, como aconteceu há bem pouco tempo e bem perto de mim. Gajos
que não trabalham nem querem sequer, porque afinal, trabalhar cansa e se
podem estar nas casas dadas pelos gajos do governo, com dinheiro todos
os meses à custa da parte produtiva da sociedade, porque não haveriam
então de passar os dias a polir com as costas as paredes dos prédios
sociais a beber umas bjecas à minha custa? E muitos ainda nos assaltam e
levam o que nos matamos a trabalhar para ganhar, porque devem achar que
o que já lhes damos ainda é pouco. Afinal, porque razão não deveria eu
pagar casas de chuto, reciclagem de seringas e afins para agarrados que
não querem largar a merda de vida que levam e deixar de ser parasitas da
sociedade? E no fim, ainda reclamar com tudo e com todos porque ninguém
lhes dá apoios nenhuns? Coitadinhos...
Estou farto destas políticas de merda da esquerda, da hipocrisia de
chamar coitadinhos aos parasítas, e bandidos a quem contribui. De malta
"cheia dele" supostamente "esquerdina" que defende com unhas e dentes
estes coitadinhos desde que não tenham que abdicar de nenhuma regalia
que tenham para justificar molhadas de teoria que despejam a esse
respeito. Farto de comunistas obtusos que pintam os patrões que lhes
pagam como se fossem o demónio, mesmo aqueles que são bem pagos - porque
na verdade sofrem de um mal terrível chamado inveja. E também farto da
direita capitalista que facilita o enriquecimento fácil de quem já é
rico à custa da miséria dos outros. Farto das tretas de merda dos
radicais de direita que julgam que sabem tudo, cambada de neo-nazis
retrógrados e preconceituosos, idiotas que julgam que encontraram a
verdade suprema e a podem impingir a toda a gente. E acima de tudo,
farto deste bando de incompetentes que andam a governar este país há anos
e a mamar do meu bolso, que depois arranjam maneira de me culpar a mim
pela merda que fizeram.
Uff, descarreguei. Isto foi quase tão bom como ir à casa de banho :P
08/09/2005
Estou em Munique. (E com um raio de um teclado alemao no qual
nao consigo usar acentos!) De qualquer forma, apesar de "Munchen" nao
ser exactamente a tipica cidade para turismo - diga-se o que se disser -
e engracado que num pais tao proximo em consiga sentir que cheguei a
civilizacao... Temos uma ou duas coisinhas a aprender com os alemaes,
nos...
Amanha estou de saida para Viena. Vivam as ferias, e viva a Europa!
05/09/2005
Vou de férias! (Já não era sem tempo!) - A próxima actualização do site
vai ser feita daqui a quase 2 semanas, porque vou estar esse tempo fora
e sem meios de digitalizar tiras e outras alterações mais profundas ao
site. Com jeitinho, e havendo acesso à net, talvez deixe umas entradas
aqui no blog...
01/09/2005
E o MundoLouco.com fez um ano desde a publicação da primeira tira! Bom,
na verdade, um ano e um dia :) Parabéns ao JAZZ, JUBAS, NEMBE e
companhia, e esperemos que daqui por um ano eles, e o autor, ainda andem
por aqui a poluir um cantinho da net...
Os meus agradecimentos àqueles que têm seguido o site e que me tem
dado os elogios tão importantes para o meu ego para eu poder ter a
vontade de continuar a desenhar isto...
23/08/2005
Gamma Ray Gamma Ray Gamma Ray!!! Mais um álbum do grande deus Kai Hansen
e companhia - E Gamma Ray nunca desilude, minutos depois de ter começado
a ouvir já estava a adorar - Continua a ser indubitavelmente a grande
banda de speed metal germânica, em alma e sonoridade, mas não soa
a uma mera repetição de algo que já tenham feito antes - coisa cada vez
mais rara nas bandas com vários álbuns e anos de estrada. Os meus
sinceros aplausos para a banda que me proporcionou o melhor espectáculo
ao vivo que já vi!
16/08/2005
Definições MundoLouco, episódio 1:
Estar apaixonado, the metal way: Ouvir músicas de Hard
Rock daquele bem lamechas no carro, cantando a letra com um sorriso
idiota na cara, uma ocasional abanadela de cabeça. Afinal, alguém tem
que comprar os discos dos Firehouse...
08/08/2005
As coisas que eu vou desencantar... Esta "pérola" que vos deixo data de
Março de 1996, na altura em que eu escrevia uns artigos para um jornal
de música (coisa que me proporcionou uma entrevista com os IRON MAIDEN!)
A entrevista abaixo, verdadeiramente imparcial e escrita por uma
ex-namorada para um jornal para o qual eu escrevia - leia-se "Backstage"
- (LOL), refere-se à minha banda da altura, os RONIN BLOOD, que talvez
já tenham visto referidos nos agradecimentos. Uma grande saudação aos
meus amigos Armando, Mascas e Salvado por alguns dos melhores tempos da
minha vida.

06/08/2005
Pérolas da sabedoria popular, parte 3:
"Quem espera sempre alcança".
Em contradição à primeira pérola desta saga, às vezes ainda há
pessoas que me conseguem surpreender pela positiva. Pé ante pé, lá vou
eu, quem sabe... Um beijo muito grande para a "Nokas"... És uma miúda
muito especial.
04/08/2005
Pérolas da sabedoria popular, parte 2:
"Se quiseres algo bem feito, fá-lo tu mesmo".
Hoje no trabalho caiu-me nas mãos mais um daqueles biscates que eu
não desejo a ninguém. A coisa bem feita não será o biscate em si, mas o
belo e valente acto de se descartar dele. Para a próxima, tenho que o
fazer bem feito e descartar-me primeiro.
03/08/2005
Pérolas da sabedoria popular, parte 1:
"Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos animais".
É a verdade trazida à prática. Acho que cada vez me torno mais
céptico, poucas são as pessoas que não acabam de uma forma ou outra por
me desiludir. Hoje mais uma e continua a contagem. Ainda dizem que os
gatos são falsos e traiçoeiros... Adoro a minha Teela e a minha
Shuguinha (se bem que a esta última, deveria ter tido mais juízo quando
aceitei este nome, lol).
E por falar em gatos, deixo-vos este belo Poema do Gato
que um amigo me mandou hoje por email...
Este gato, é gato,
o gato, melhor gato,
meio gato, de gato,
manter gato, um gato,
idiota gato, distraído gato,
por 20 gato, segundos gato.
Ah! Não
entendem nada?
Então experimentem ler sem a palavra GATO.
27/07/2005
Finalmente conseguimos uma pequena vaga na muito ocupada agenda do
protagonista deste site, o multi-talentoso Jazz, que nos concedeu uma há
muito desejada entrevista. Revelações bombásticas, como se pode ler de
seguida...
REPÓRTER LOUCO - Olá Jazz, é um prazer e uma honra poder fazer esta
entrevista. Como vão as coisas contigo?
JAZZ - Está tudo bem, obrigado. Apesar de este site não andar nem
desandar, mas é o que se tem...
RL - Não estás contente em trabalhar no Mundo Louco?
JAZZ - Não diria tanto, mas os argumentos andam um bocado
fraquinhos... O que vale é que o gajo me desenha bem, pelo menos sempre
compenso pela boa aparência.
RL - Mas estás a considerar mudar?
JAZZ - Tive uns convites para alguns desenhos animados de grandes
editoras, mas o contrato do Mundo Louco tem uma cláusula de
exclusividade... De qualquer modo não me posso queixar, repara, um
desenho animado tem 25 imagens por segundo, eu aqui faço 3 ou 4
quadradinhos por semana. Permite um estilo de vida totalmente diferente.
RL - Estou a ver. E fora desta área, chegaste a considerar outras
profissões?
JAZZ - Bom, o curso de boneco de banda desenhada dá para isto e para
a política. Ainda andei uns tempos indeciso, mas acabei por me virar
para a BD, porque apesar de se trabalhar mais, não se tem que usar
gravata. E eu detesto usar gravata.
RL - E ganha-se tão bem como na política?
JAZZ - O ordenado base é melhor, mas claro, não tenho as ajudas de
custo, despesas de representação e as outras regalias todas dos
políticos, portanto acabo por ganhar muito menos. E é mais difícil fugir
ao fisco também, aliás, deves-te lembrar que até já mandaram
extra-terrestres atrás de mim. Mas não me posso queixar, aliás, há por
aí muito boa gente que se estafa a trabalhar e se soubesse o que eu
ganho arrependia-se solenemente de não ter antes seguido a área de
boneco de banda desenhada. Foi uma questão de perspicácia - neste país
só ganha muito quem trabalha pouco, daí eu ter aceite fazer uma tira
semanal.

RL - Estou a perceber. Mas não é para
qualquer um, ouvi dizer que o curso de boneco de banda desenhada não é
para qualquer um...
JAZZ - Não é tão difícil quanto pintam. Vejo aí tantos cromos na
televisão que até têm que se expor em "reality shows" manhosos de gente
famosa para fazer dinheiro, e se tivessem estudado um bocadinho podiam
estar a ganhar o mesmo que eu e poder manter a dignidade. Há algumas
cadeiras mais difíceis, chumbei 2 vezes a Astérix, mas não é de todo um
curso difícil.
RL - Falando em Astérix, essa é uma curiosidade que trago. Quem são
os mestres que te inspiraram, que te influenciaram, podes dizer-nos?
JAZZ - Não tenho problema nenhum. Não sou como alguns que assim que
atingem alguma fama fingem que ninguém os influenciou. Vai lá perguntar
ao Calvin se ele admite as influências que têm nos bonecos do Charlie
Brown e da Mafalda, ou ao Garfield sobre o Gato Felix. Eu não vou nessas
hipocrisias. Aliás, nota-se bem que tenho influências no estilo
misterioso do Batman e na perpicácia do Rato Mickey, era idiota da minha
parte tentar negá-lo.
RL - E sobre o autor?
JAZZ - Foi o que se pôde arranjar. Eu não espero ficar o resto da
minha vida a fazer o Mundo Louco, mas para já vou cumprir o contrato que
tenho. Tive quase a rescindir aqui há um mês atrás, aliás, esqueçam as
desculpas parvas que o gajo deu para isto ter estado parado 2 meses, na
realidade estivemos em negociações. O gajo finalmente lá se saiu com
umas ideias para umas tiras com piada a satirizar uma banda de heavy
metal, que devem ser publicadas daqui a uns 2 meses, e portanto acabámos
por nos entender.
RL - Essa tua amizade com o Jubas, já vem de longa data?
JAZZ - Sim, desde a escola secundária. O Jubas é um gajo um bocado
estranho, mas uma jóia de pessoa. É o meu melhor amigo. Nem te passa
pela cabeça a quantidade de coisas malucas que já fizemos. Aliás, até
passa, porque o autor inspira-se nisso para fazer algumas das tiras que
aqui aparecem.
RL - Donde vêm o nome dele, "Jubas"?
JAZZ - Dahhhh... do cabelo, não? Quando o conheci, estava aquela
farta juba em crescimento. Fui eu que o baptizei, e ainda agora que ele
usa o cabelo bem curtinho, o nome mantém-se. Não devia dizer isto, mas
ele nas tiras usa peruca.
RL - E o teu nome?
JAZZ - Queriam que eu usasse a minha alcunha dos tempos de escola,
"Aranha", mas eu achei que me podiam confundir com aquele palerma da
roupa azul e vermelha. Andei a matutar num nome apropriado para mim, mas
infelizmente já tinham registado o nome Super-Homem. Acabou por ser
assim numa ida ao Hot Clube, a ouvir uma banda de Jazz, que me veio a
ideia... Além disso, também é o nome de um disco dos Queen, por isso é
fixe!
RL - Aquela história com as miúdas na discoteca... aquilo passou-se
mesmo assim?
JAZZ - A morenaça bombástica não, estás parvo? A oferecer-se daquela
maneira... Cada vez que acabávamos de fazer uma tira, lá tinha eu que
lhe fazer a vontade, hehehe! Mas a Nembe, a giraça de olhos verdes
que me acha um chato, sempre me achou um chato também na vida real...
'Tás a ver, foi uma daquelas longas paixonetas avassaladoras não
correspondidas de adolescência que toda a gente tem, percebes?
RL - Toda a gente tem? Não, francamente não me parece...
JAZZ - Isso, vai, apunhala-me o ego!
RL - 'Tou a brincar. Portanto acreditas no amor à primeira vista?
JAZZ - Naaa... Eu sou um bocado pitosga, à primeira vista posso ver
mal os pormenores. Só amo depois de ver tudo à lupa (risos).
RL - És religioso?
JAZZ - Eu sou um personagem de banda desenhada. Se não acreditar num
criador, depois quem é que me desenha?
RL - O que achas do humor actualmente feito em Portugal?
JAZZ - Na banda desenhada, gosto do site d'Os Putos, que
infelizmente parou. Também gosto de dar uma olhadinha no vitominas.com,
que o autor se recusa a pôr nos links daqui por achar demasiado obsceno
para o conteúdo do Mundo Louco. Mas depois farta-se de rir com aquilo, o
hipócrita. Mas sabes como é, fez o Mundo Louco com aquela ideia de ser
assim uma BD mais própria para consumo e tal... Na TV, gosto do Gato
Fedorento. Acho que é o melhor humor português em muitos anos.
RL - Portanto és mais um daqueles que acham que o Herman está
decadente?
JAZZ - Não, de todo. O Herman estava decadente há 5 ou 6 anos, agora
já está podre coitado... Quer dizer, eu gosto de ver gajas de biquini ou
mesmo sem biquini, tanto ou mais como outro gajo macho qualquer, mas
fazer o humor depender disso é decadente. E pior, o gajo ainda se mete
para ali a mostrar gajos semi-nus também, deve pensar que temos todos os
gostos dele...
RL - Uma última pergunta... o que podemos esperar nos próximos
capítulos do Mundo Louco?
JAZZ - Fora as tiras dos heavy metals que falei há bocado, acho que
vai ser a mesma lenga-lenga de sempre. O argumentista é fraquinho, não
se pode esperar mais. Mas pronto, o meu talento sempre compensa um
bocado a falta de talento dele.
RL - Bom, Jazz, foi um prazer. Obrigado pela entrevista e boa sorte
para este mundo louco...
JAZZ - De nada. Com um site deste é mesmo preciso sorte... Fica bem,
meu!
19/07/2005
Continua a metamorfose deste louco autor em... si mesmo. Trambolhões e
chapadas da vida fizeram-me mudar para algo que não era eu, numa
desesperada tentativa de criar um "eu" melhor. E assim, num Kafkiano
processo, fui-me transmutando em diversas coisas que não sou eu.
Tornei-me tolerante ao ponto de perder personalidade, adepto de coisas
que não aprecio, irresponsável e até algo fútil, numa esperança estranha
de integração neste mundo louco. Como noutras circunstâncias, sabia à
partida que isto não ia resultar, e que não ia aprender nada de
realmente útil, mas por alguma razão estranha por vezes acho que devo
passar por experiências cuja inutilidade já conheço de antemão.
Finda a bizarra "out of my mind experience", processa-se o regresso
aquele que sempre fui. Não, não sou esquizofrénico, só um bocado, como
já me disseram em tempos, "complicado". Este Darth Vader pode afinal,
voltar a ser Anakin Skywalker...
12/07/2005
Quando era pequenino ensinaram-me que não se devia mexer nos ninhos de
vespas, porque elas não gostam, atacam e picam. Penso que alguém deveria
ter ensinado o mesmo aos Srs. Bush, Blair, e companhia. Não quero com
isto dizer que haja qualquer justificação para os ataques terroristas.
Nada justifica o assassinato de inocentes. Mas esta mania de querer ser
"polícia do mundo" na versão mediática, e controlador de recursos
económicos (leia-se petróleo) na versão realista não poderia dar bons
resultados. Aliás, se quisessem ser de facto polícias do mundo, que ao
menos fizessem um bom trabalho, ao invés da tremenda bosta que têm
feito.
Admiro também a cambada de cretinos que acham que deveríamos forçar
aquela gente a adoptar a democracia, e mais ainda o bando de hipócritas
que acham que os devemos educar. Assumindo portanto no auge da nossa
arrogância que somos superiores, que fazemos melhor juízo, que a
democracia é que é a verdade absoluta. Amigos, e que tal essa opção ser
feita por eles do mesmo modo que nós fizemos a nossa? Mas que direito
temos nós de julgar quem está certo e errado, e de impingir os nosso
princípios aos outros? Especialmente vindo de países com a taxa de
criminalidade que tem os EUA, ou de países com longa história de
problemas com terroristas como o Reino Unido ou a Espanha.
Mas atenção - os responsáveis por este ataque em Londres, ou por
qualquer outro ataque terrorista, acho-os a escória da humanidade, e que
deveriam ser linchados lenta e dolorosamente em praça pública. Mas isso
não é a generalidade de um povo, de uma religião, ou de um sistema. É
apenas uma repugnante minoria, a qual se não lhes tivessem mexido no
"ninho" (e perdido boa parte de qualquer razão "eticamente correcta" que
pudessem ter), não teria provavelmente dado nenhuma "picadela".
Senhores da extrema-direita e afins, não venham novamente brincar às
cruzadas para ganhar riqueza e poder. Não nos atirem areia para os
olhos. Vocês são co-responsáveis dos acontecimentos de Nova Iorque,
Madrid, Londres, e tantos outros. Se não respeitam as opiniões alheias,
ao menos tenham consideração pelos povos que lideram e PENSEM antes de
fazerem mais merda. Não é uma questão de deixar de ter medo dos
terroristas (porque lamento, eles são devotos fanáticos que levam as
suas crenças ao extremo - quem não tiver medo só pode ser estúpido) - é
uma questão de deixar de meter o bedelho onde não somos chamados.
Os meus sinceros pêsames a todas as vitimas,
familiares e amigos destes trágicos acontecimentos - que não têm culpa
nenhuma da cagada que os seus líderes têm andado a fazer.
07/07/2005
Hoje não tenho nada de jeito para dizer. Ou seja, é mais um dia como
tantos outros. Não fui ao salão erótico na FIL (que seria uma
experiência a partilhar aqui), o que foi bom, porque se tivesse ido
aparentemente teria corrido o risco de inadvertidamente assistir a um
concurso de masturbação masculina. E francamente, acho que já tenho mais
experiências desagradáveis do que gostaria.
Estas coisas fazem-me sentir... velho e conservador.
Ou então posso falar da fantástica tenda de campismo que vi à venda,
que se monta em nada mais nada menos que 2 segundos. Basta atirar ao ar
e já está. A sério. Aliás, será de extrema utilidade para a minha
segunda ronda de carro em volta da Europa.
Ou então, visto que comecei logo por dizer que não tinha nada de
jeito para dizer e já cumpri a minha palavra, posso subtilmente
retirar-me, que ninguém tem culpa dos meus atrofios cerebrais...
03/07/2005
WE WILL WE WILL ROCK YOU!!!
Estou acabadinho de chegar do concerto de Queen (+ Paul Rodgers) no
estádio do Restelo, e achei que deveria partilhar convosco um pouco da
experiência. Inicialmente fui muito crítico desta digressão (inclusive
neste blog), mas na verdade, Queen são sempre Queen, é a minha banda
favorita de sempre, é ir ver e ouvir Roger Taylor e Brian May ao vivo
pela primeira vez na minha vida (e talvez a última), é estar rodeado de
umas 30 ou 40 mil pessoas a cantar algumas das melhores músicas jamais
escritas. Brian e Roger continuam em grande forma, apesar de já não
serem propriamente nenhuns garotos, e a sua performance este excelente
(apesar de Brian ter remexido alguns solos que eu preferia que tivessem
ficado inalterados porque soam melhor na versão original).
Paul Rodgers... Paul Rodgers foi um erro, e passo a explicar porquê. O
homem canta bem. O homem é um bom frontman. Eu adorei o concerto, e
parte disso deve-se ao facto de ele ter estado à altura. O problema, que
na realidade não é um mas sim dois, é que ele já tem quase 40 anos de
carreira, o que implicou que ele trouxesse consigo músicas dos seus
anteriores percursos musicais, que à excepção de "All Right Now" ninguém
conhecia e nitidamente ninguém estava com muita vontade de ouvir. Isso e
o facto de, sendo ele um vocalista com algum renome (apesar de na
realidade ele se ter tornado mais conhecido com esta digressão que nos
restantes 30 e muitos anos da sua carreira), e tendo o homem talento
reconhecido (e mais algum que ele presume ter), fincou pé a adaptar
Queen ao seu estilo. Só que isto, que até não me pareceu mal na teoria,
não resultou assim tão bem na prática, porque o adaptar ao seu estilo
foi nalguns casos adulterar um bocado a parte vocal das músicas,
nomeadamente em "A Kind Of Magic", que ficou consideravelmente
desfigurada. Freddie Mercury é insubstituível e inimitável, mas neste
caso preferia que ele o tivesse imitado um bocadinho mais. Mas pronto,
manias de artista de querer preservar o seu cunho a todo o custo mesmo
que isso implique ir contra a vontade de quem vai ver os concertos, que
basicamente são as mesmas pessoas que os possibilitam. Não pude deixar
de concordar com o meu irmão, que à saída me dizia, "mais valia ter sido
o puto do musical We Will Rock You que vimos em Londres" - sim, porque
sem fama nem manias, e curiosamente sem tentar clonar Mercury, estava
mais ajustado ao espírito e sonoridade dos Queen.
E, apesar de ser nitidamente o menos carismático da banda, foi uma
pena não ter sido John Deacon a tocar baixo nesta tourné.
Agora não me interpretem mal. Adorei o concerto, acho que apesar de
tudo Paul Rodgers (e o guitarrista, baixista e teclista convidados) se
portaram bastante bem, e apesar de não ter sido o concerto da minha vida
(provavelmente seria - se Freddie Mercury ainda estivesse vivo e em cima
daquele palco a cantar), gritei, pulei e cantei que nem um doido todos
os temas (de Queen), de onde destaco "Tie Your Mother Down", "I Want To
Break Free", "Crazy Little Thing Called Love", "Love Of My Life", "Hammer
To Fall", "I Want It All", "Radio GaGa", e claro, "Bohemian Rhapsody" -
com uma gravação de Mercury da tour de 86 a fazer a parte vocal até à
entrada da parte heavy metal final - "We Will Rock You" - em que pude
ter o prazer de estar no meio da coreografia mais emblemática de sempre
de qualquer concerto, milhares de pessoa de braços no ar a bater as
palmas ao ritmo que todos conhecem (Deslumbrante!!!) - e "We Are The
Champions" - o derradeiro hino a ser entoado em coro e sentimento por
todos os presentes.
Claro está, faltaram muitas música que adorava ter ouvido. Mas
pronto, eu podia ter ficado até de manhã a ouvir e cantar a discografia
inteira da banda, e portanto, sabendo eu da minha condição de mega-fã e
mega-doido, assumi à partida uma expectativa mais modesta e fiquei
satisfeito com as canções que ouvi.
QUEEN ROCKS FOREVER! LONG LIVE QUEEN!
29/06/2005
Ora acho que passou um bocadinho do prazo para publicar uma tira nova...
Eu posso explicar! Calma!
Depois de publicar a última tira, estava eu feliz e contente a passear
pelas margens do rio Tejo (assim a modos que dos lados da Costa da
Caparica) quando fui violentamente raptado por extraterrestres do
longínquo planeta Zorb. Eles tinham 3 olhos, e as fêmeas tinham 3
glândulas mamárias (raparigas da Terra ponham-se a pau!) Tentaram sacar
de mim informação vital, tal como sobreviver num país governado por
palhaços, ou onde encontrar coragem para enfrentar diariamente a IC19.
Não conseguiram saber nada, posso-vos jurar. E elas bem tentaram.
Frustrados, limitaram-se a trocar umas dicas do Kama Sutra comigo e
devolveram-me a este planeta que eles baptizaram de "Lixo Kósmico" (com
"K", a linguagem dos SMS também já chegou ao planeta Zorb). E com esta
brincadeira eu com tiras para publicar e não pude fazer nada. Vocês não
fazem ideia de como é complicado aceder à net em Zorb!
...
Pronto, OK, é mentira. Na realidade eu estava só a cuidar do meu bonito
jardim quando sofri um bizarro acidente de jardinagem. Aconteceu o mesmo
aos Metallica em 95, portanto se a qualidade deste site decrescer ainda
mais, não se admirem.
...
OK, OK! FOI PREGUIÇA MESMO!!! POSSO???
PS: Tarde e a más horas (eu tinha um texto imenso sobre estes 2 tópicos)
aproveito para fazer só um resumo de que o Star Wars 3 é genial (o meu
favorito depois do "Império Contra-Ataca" e "Uma Nova Esperança" - Ah
grande Lucas!) e que o SLB é o maior e viva viva até fui ao estádio da
Luz comemorar e tudo. Só é uma pena que alguns murcões provincianos e
bairristas tenham mau perder e pouco desportivismo e estraguem a festa a
quem está contente, mas isso também já não é novidade.
PS 2: A propósito de um tal de "Arrastão", nada de extremas direitas e
afins, mas está na hora de alguém se impor contra esses palhaços que
julgam que podem fazer o que lhes dá na telha e sair impunes - isto
afecta-nos a todos enquanto cidadãos deste país, e até já o turismo, uma
das poucas fontes de riqueza duma economia à beira da banca-rota se
ressente porque neste país o polícia está de mãos atadas excepto para
passar multas de estacionamento. Portanto, e com o devido cuidado de se
evitar pancadas de xenofobia ou racismo, acho que isto serviu para
mostrar que está mais que na hora de se aumentar a segurança pública. A
tempo, hei-de escrever mais sobre isto...
Bem haja.
10/05/2005
Ergue-te LORD VADER!!!
É pá, não sou um daqueles doidos que ficam 2 meses em fila à porta
do cinema para ver o Star Wars 3 (ainda por cima sem terem a certeza se
estão no cinema certo - ah grandes malucos!!!) - mas hei, estou ansioso
por ver o amigo Anakin a trajar as vestes do Lord of the Sith - Ah
grande Lucas!!!
03/05/2005
Aqui há uns anitos (já mais de 10, agora que penso nisso), numa aula de
filosofia, o "setôr" citou-nos uma pergunta filosófica de um qualquer
pensador cujo nome não me lembro: "Se não sabes, porque perguntas?"
Daqui resultaram várias reacções, desde perfeita apatia, expressões
de entendimento, até à revolta de um "Que pergunta mais parva! Pergunta
para saber, porque raio havia de ser?" - Com excepção dos apáticos,
todos tinham razão.
A verdade é que com 17 anos achei esta "filosofia" insuficiente no
mínimo e básica sendo mais severo na crítica, e hoje continuo a pensar
de forma semelhante. O fundamento por detrás desta pergunta é que, se
não entendemos algo, devemos analisá-lo e explorá-lo de modo a
compreendermos por nós próprios, ao invés de simplesmente aceitarmos a
verdade de outrem. Mas de tão minimalista que é a expressão (também
confesso que nunca tive a curiosidade de ler o resto da divagação
filosófica do autor), sugere uma arrogância de auto-descoberta de
verdades absolutas. E muitas vezes, temos que pura e simplesmente
aceitar a verdade que os outros nos dão. Sei que se fazem testes de
carbono, mas não sei de facto como esses testes permitem avaliar a idade
de um fóssil. Sei que uma aspirina alivia as dores de cabeça, mas não
consigo explicar a ninguém qual é a reacção química que o torna
possível. E por aí em diante. Concordo parcialmente com o autor - nós
devemos procurar as nossas próprias verdades - mas nunca devemos deixar
de ter em conta a verdade que outros já descobriram. Podemos depois
concordar ou discordar - o importante é que a opinião final, de
aceitação ou negação, seja nossa e não incutida por alguém - talvez seja
por pensar assim que leio a Bíblia, e no entanto não acredito em Deus.
Eu sou do tipo de pessoa que pergunta, que se reporta aquilo que os
outros já descobriram, que pergunta às pessoas porquê isto e porquê
aquilo (não na vertente infantil da coisa, acho eu, já saí dessa idade
há mais anos do que gosto de aceitar), e já várias vezes me disseram que
eu questiono demais. Algumas pessoas porque acham que a menos que
passemos tanto tempo a investigar algo como o seu "descobridor", não
temos o direito de o interrogar, que devemos aceitar certas coisas
passivamente. Outras porque pura e simplesmente não gostam de ser
questionadas - numa visão mais virada para a psicologia da coisa,
algumas pessoas não sabem o que responder, têm medo do conhecimento que
a resposta nos dará, ou por alguma razão estranha acham que a resposta
que têm para nós pode não ser suficientemente boa para a pergunta. O
espírito pesquisador e o espírito aceitador sempre tiveram dificuldades
de comunicação.
Porque é que estou a escrever esta macacada? Não sei. Ou talvez não
queira dizer. Ou talvez não seja por nada de especial e como tal,
prefiro manter a pergunta misteriosa a arranjar-lhe uma resposta
simples. Quem aceitar o tal filósofo acima citado, pode tentar
averiguar. Quem quiser o atalho da pergunta...
01/05/2005
Andava eu descansadinho na minha vidinha do costume quando me deparei
com um novo programa da TVI (um canal que eu costumo ver por escassos
segundos porque está entre a SIC e a SIC Notícias), cujo nome não me
lembro mas era um qualquer reality show sobre testes de fidelidade. A
SIC tem a versão soft-core, o da TVI é mais hard. Ambos
são igualmente do piorio. Portanto, como já devem saber, um dos cônjuges
testa o outro perante as câmaras, que sem saber vai ser tentado seduzir
por um actor/ actriz (do sexo oposto, mas não me surpreendia também a
versão gay). E pronto, lá caem na esparrela, e depois passa-se
para a peixeirada à boa brasileira (consta que também há alguns com
portugueses, mas não vi), onde namorado, namorada e actor/ actriz
discutem nos bastidores, perante um apresentador do mais sensacionalista
que há (parece a versão "leiloeiro" do João Baião mas dez vezes pior),
onde depois também o público, composto de bichas, fufas, travestis e
outras pérolas da sociedade criticam o maldito traidor.
E nós consumimos isto!!! Mas que raio de relações são estas em que as
pessoas testam a fidelidade do parceiro na TV (e não me venham com a
conversa que estavam à espera que fossem ser fiéis, senão não faziam um
teste destes), que fazem depois uma peixeirada pública da sua vida
supostamente privada, e que depois se preciso for ainda se reconciliam?
Honestamente, se eu fosse submetido a um teste destes, por melhor que me
pudesse portar, quem acabava o namoro era eu. E o povão (à boa
brasileira) consome estas coisas avidamente, agora que o Big Brother
acabou e a Quinta dos Ranhosos parece que já não pega tanto. É disto que
nós gostamos? É isto que nós somos? Com mais uma agravante ainda -
Amigos, se este programa não é todo uma encenação, então eu devo ser o
Pai Natal!
Sendo sincero - segui um bocado o primeiro Big Brother. Era novidade,
naive, e bolas, o Telmo e o Marco são personagens dignas de se ver - os
verdadeiros Macacos Lusitanos. Daí para a frente já é fantochada a mais
para mim, e como disse alguém, quando se pensa que já se atingiu o fundo
do poço, lá aparece alguém que ainda consegue ir mais baixo.
Ver entradas 01-09-2004 -
27-04-2005 |