BLOG MUNDOLOUCO
(ou - Filosofias escritas nas entrelinhas do Papel Higiénico)
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03/10/2005
Meia centena de tiras depois chegam... aplausos aplausos... os Cromos Maus!!! Desbundem!

27/09/2005
Os 10 melhores álbuns de heavy metal de todos os tempos, segundo a opinião do vosso humilde anfitrião, para quem possa interessar... por ordem cronológica, porque de facto não consigo evidenciar uns dos outros.

01 - Iron Maiden -
The Number Of The Beast (1982)
Alguns puristas já se deverão estar a perguntar como posso começar pelos Maiden, onde estão os Led Zeppelin ou os Black Sabbath nisto tudo. Outros dirão que o álbum Seventh Son Of A Seventh Son merece mais estar aqui que o Number Of The Beast... A verdade, é que Zeppelin e Sabbath começaram tudo isto, mas não eram ainda heavy metal na verdadeira ascensão da palavra, e o Seventh Son, sendo no geral um album mais sólido, não pode substituir a força de temas como Hallowed Be Thy Name, The Number Of The Beast, Run To The Hills ou Children Of The Damned... e além disso, este disco marcou toda a geração de musica pesada de uma forma que Seventh Son, por muito marcante que tenha sido, já não chegou a tempo de fazer... Sem dúvida, e não me venham com Judas Priest, este foi o disco que revolucionou o heavy metal até aos dias de hoje.


02 - Metallica -
Ride The Lightning (1984)
Alguns apontariam para Master Of Puppets, mas Ride é sem dúvida um álbum mais coeso. E veio antes, a revolução do thrash foi feita aqui, e apenas continuada em Master. Marcou a música pesada para sempre - tanto ou mais que Number Of The Beast, e continuará para sempre um clássico. Desde a abertura rasgada de Fight Fire With Fire, ao épico Creeping Death, o melancólico Fade To Black ou o instrumental Call Of Ktulu, é o melhor disco que os Metallica já fizeram - mesmo que 2 temas - Trapped Under Ice e Escape - não estejam à altura dos restantes.

03 - Helloween -
Keeper Of The Seven Keys, Part II (1988)
A terceira grande revolução da música pesada chega com os germânicos Helloween. Depois de um início musicalmente mais "ríspido" com Walls Of Jericho, e com a entrada do vocalista Michael Kiske, a saga dos Keepers traz uma aragem de ar fresco ao mundo de cabedal preto, caveiras e "caras de mau" do heavy metal - Os Helloween arriscaram ser bem-dispostos, engraçados, vestir cores berrantes, e cantar sobre coisas felizes ou cómicas - e foi um sucesso. Keeper 2 foi o apogeu disto, e por muito que os Helloween tentem reviver este período (vai sair a parte 3 depois destes anos todos) - não acredito que alguma vez superem esta magnífica obra de arte. Que o comprovem Eagle Fly Free, Rise And Fall, Dr. Stein ou I Want Out.

04 - Manowar -
Kings Of Metal (1988)
Os Manowar são o maior cliché que o heavy metal pode ter - todos os estereótipos sobre o género que possam ser feitos (excepto tretas manhosas de satanismos) estão representados por esta banda - um grupo de "guerreiros nórdicos" (dos EUA) de espada em punho, cavalgando Harley Davidsons e pregando o heavy metal, o sexo e a cerveja. E eram os melhores no que faziam, até que acabaram por se transformar numa paródia de si próprios. Kings Of Metal é o disco que representa o auge dos Manowar na sua fase de ouro, tanto em composição como em produção, e que levou inúmeras bandas a tentar a clonagem... especialmente a partir da segunda metade da década de 90.

05 - Crimson Glory -
Transcendence (1989)
Algures entre o heavy/ speed metal progressivo iniciado pelos Queensrÿche e o hard rock melódico, esta banda da Flórida criou em Transcendence uma espécie de disco perfeito. Diferente. Inovador (os solos estridentes, a batida etérea da bateria digital). Não há falhas neste disco. E a voz... Midnight é um dos melhores vocalistas de rock de sempre, com um alcance vocal impressionante (não faço ideia quantas oitavas consegue o homem percorrer), um timbre único, e um feeling... indescritível! Queira-se o frenesim de Red Sharks, a poesia de In Dark Places, o épico de Where Dragons Rule, o romântico de Burning Bridges ou o etéreo de Transcendence, este disco tem de tudo... magnífico! Nunca me canso de ouvir este espectacular álbum.

06 - Sanctuary -
Into The Mirror Black (1990)
Antes do se chamar power metal aos inúmeros clones de Helloween, quando a definição do género era a fusão da agressividade do thrash com a melodia do heavy, existiram, principalmente nos EUA, inúmeras bandas do género. E antes de se separarem e formarem os Nevermore, os Sanctuary foram, junto com os Helstar, o ex-libris do género. Em momentos a roçar a melancolia do doom a la Candlemass, Into the Mirror Black é um dos primeiros e maiores passos da transição do power metal para a década de 90. E basta ouvir Future Tense, Taste Revenge ou Seasons Of Destruction para perceber porquê.

07 - Megadeth -
Rust In Peace (1990)
Dave Mustaine e companhia já andavam a tentar há uns bons anos... mas por muito que os discos anteriores fossem bons, a ambição da banda só seria conseguida com Rust In Peace. Talvez pela entrada do baterista Nick Menza e do deus da guitarra Marty Friedman (a música Holy Wars... que solo!!!) O que é facto é que Dave queria fazer algo melhor que o thrash dos Metallica (de onde foi corrido) e ao ouvir Rust In Peace só se pode concluir - fez! É a fusão perfeita entre agressividade e melodia, entre os solos psicadélicos de Mustaine e os ultra-melodiosos de Friedman, a batida de tirar o fôlego de Menza, o baixo marcante de David Ellefson, e a voz, tecnicamente limitada mas sentida, os rosnares únicos de Mustaine. Holy Wars, Hangar 18, Tornado Of Souls e Rust In Peace... Polaris, são clássicos do género, que nem o ultra-polido sucessor Countdown To Extinction conseguiu superar.

08 - Iced Earth -
The Dark Saga (1996)
Andei indeciso entre escolher este disco ou repetir os Maiden com Seventh Son Of A Seventh Son. Ambos são discos conceptuais. Iced Earth é altamente inspirado em Maiden, uma espécie de versão moderna, mais thrashy, da clássica banda de Steve Harris. O que me fez optar? O vocalista Matt Barlow. Talvez Bruce Dickinson seja tecnicamente mais completo, mas o feeling de Barlow é único, talvez só comparável com Midnight dos Crimson Glory. Com a diferença que Barlow não domina os agudos mas sim os tons baixos. Dono de uma voz profunda e límpida e de um sentimento que parece vir de quem teve o coração arrancado e o segura nas mãos, Barlow é um dos meus vocalistas favoritos de sempre. Acompanhado da guitarra cavalgante de Jon Schaffer (a la Steve Harris) e inspirados na banda desenhada Spawn, fizeram um disco em tudo superior ao que serviu de fonte de inspiração para as letras - aliás, Barlow até faz Spawn parecer muito mais trágico que a banda desenhada de Todd McFarlane. E quem tiver dúvidas, é ouvir temas como I Died For You, The Hunter, Vengeance Is Mine ou a magistral A Question Of Heaven para as mesmas se dissiparem...

09 - Rage -
End Of All Days (1996)
Rage é a minha banda de heavy metal favorita. Não sei bem explicar porquê, nenhum dos elementos (e já tiveram muitos, só o vocalista/ baixista Peavy Wagner permanece) é um dos meus músicos de topo. Mas na soma das partes, os Rage são perfeitos. Peavy pode não ter a melhor voz de sempre, mas tem todo o sentimento que precisa. E compõe canções, na verdadeira ascensão da palavra, como ninguém. A melhor definição para Rage é "mistura de crush com melodia" - Peavy escreve álbuns atrás de álbuns de músicas pesadas e no entanto tão "orelhudas" como muitas canções pop. Até conhecer Rage nunca pensei que uma banda tão pesada pudesse ser tão melódica - mas o facto é que em End Of All Days, o apogeu da conciliação peso/ melodia, os Rage conseguem ser ainda mais melódicos que os também germânicos Helloween. Este disco é extremamente coeso e sólido, mas talvez se deva começar por ouvir Higher Than The Sky, Visions, Let The Night Begin, Talking To The Dead ou Fading Hours... e então passar para os restantes temas dos 14 que compõem este brilhante àlbum.

10 - Nevermore -
The Politics Of Ecstasy (1996)
Por último, mas em nada inferior, a última verdadeira revolução do género. Politics of Ecstasy é um disco intenso. Politics of Ecstasy é um disco pesado, provavelmente, o mais pesado da minha coleção. Politics Of Ecstasy é psicadélico, de tal modo que nos deixa anestesiados ao ouvi-lo. Politics Of Ecstasy é dissonante, um dissonante digno de death metal, não fosse a voz magnífica de Warrel Dane (ex-Sanctuary) trazer a melodia necessária para contrabalançar, não fossem as estruturas das músicas trazer a cadência do power metal para tornar o disco tão revolucionário, tão progressivo, tão... fusão. Politics é uma fusão de tudo o que já foi feito no metal - agressividade, melodia, anti-melodia, sentimento. E tão bem conseguido. É-me difícil descrever Politics. Não gostei do disco da primeira vez que o ouvi. Nem da segunda. Mas por alguma razão, continuei a ouvi-lo, até entrar no mundo bizarro descrito na visão alucinada de Warrel Dane. E tornou-se um dos meus discos favoritos de sempre. Ouçam. Muitas vezes. E se querem um tema para começar, talvez o calmo e melancólico Passenger, ou o longo épico The Learning (a minha música favorita de Nevermore) sejam o indicado.

Alguns estarão à espera de outras bandas. Não, não consigo dar assim tanto valor aos Slayer, por muito que se fale do Reign In Blood. Nem mesmo Vulgar Display Of Power dos Pantera. E também o Beneath The Remains ou o Arise de Sepultura estão longe de conseguir. Talvez seja um som muito caótico para o meu gosto - mas acho que quando o único sentimento que se exprime é raiva, estamos perante uma banda de conceito limitado. Logo, nem vale a pena falarmos de géneros mais extremos que o thrash. Também não consigo incluir Judas Priest - talvez porque nunca gostei da voz do Rob Halford, ou talvez porque o género que a banda faz foi inúmeras vezes batido pelos Maiden ou pelos Manowar. E os clássicos Venom - sim, revolucionaram - mas de uma forma muito tosca para se poderem sobrepor aos aqui presentes... uma espécie de Sex Pistols do metal... boas ideias, pouca capacidade de as concretizar (e bolas, uma voz horrivel). Por fim, Mercyful Fate... gosto muito desta banda, mas... ainda teria que me lembrar de mais uns discos até chegar ao King Diamond e ao clássico (por vezes sobrevalorizado) Don't Break The Oath...
Alguns perguntam - porque razão param os "melhores álbuns" em 96 - simples. Porque a partir daí, e até aos dias de hoje, o género chegou a um ponto de saturação tal que nada consegue superar o que já foi feito (tenho uma trabalheira a arranjar discos novos que goste...!) - ou então, estou pura e simplesmente velho e quadrado.

21/09/2005
De volta das minhas férias pela Europa (Munique, Viena, Praga, Dresden), e de regresso ao dia-a-dia laboral, bem a tempo de me voltar a meter no meio de engarrafamentos de trânsito e de assistir a deploráveis debates à laia das eleições autárquicas. Boa onda, porque estou numa de dissertar política, e para os poucos com pachorra para ler tais coisas, aqui vai testamento...

Ora chegámos pois a tempo de mais uma disputa política, desta feita para as câmaras municipais e afins, onde como é normal impera Lisboa e os "grandes" PSD e PS. Eu nem moro em Lisboa - na cidade, pelo menos, mas trabalho lá e frequento o sítio, portanto obviamente é algo que me preocupa, a modos que. E portanto, quando dei com um debate na TV entre os candidatos de peso - o hipotético repetente Carmona Rodrigues e o ex-ministro da cultura Fanhoso Sopa-de-Massa, digo, o Maria Carrilho, tive que dispensar uns minutos para assistir ao acto, que afinal se iria revelar uma espécie de tragédia Grega de segunda qualidade.

Não vou entrar com rodeios. Não é que eu tenha propriamente uma cor política, mas do mal o menos sempre simpatizei mais com a base genérica do PSD - Centro-Direita, Capitalismo moderado, ou seja lá o que eles forem. Sou assumidamente um Cavaquista (o homem tirou-nos da ressaca Salazariana, diga-se lá o que se disser!) Não gramo os Democratas-Cristãos, porque os acho quadrados, e mais a mais até sou ateu (apesar de, confesso, punha alguma fé no Monteiro), não curto os Comunistas, porque os acho obtusos, não posso com os Bloquistas, porque os acho uns rebeldes sem causa ridículos, surreais e absurdos. Além disso, diga-se o que se disser, ninguém me tira da cabeça que o Bloco é um partido de paneleiros e drogados - afinal, é nestes meios que eles são famosos. Acho que seria capaz de votar PS, se alguém de jeito assumisse a liderança do partido, o que parece ser uma incapacidade deles já desde o tempo em que quem mandava era o traficante de diamantes africanos, digo, o Mário Soares.

E então lá se depara aqui o Nando com um quase ininteligível debate entre o gajo Carmona, de quem se vê pouca obra mas afinal o gajo foi só substituir o outro gajo Santana, e o gajo Carrilho, mais famoso por ter casado com a Bárbara Guimarães, bem boazona por sinal, do que propriamente por algo que tenha feito na política (aliás, a mulher é sem dúvida a melhor arma dele na campanha, de cegos que somos). Dizem as más-línguas que entre 2000 e 2001, a senhora Bárbara andou a receber 1000 contos por mês para apresentar um programa de 5 minutos na RTP, supostamente cultural (como se alguém na realidade desse atenção a algo para além das mamas dela sob aqueles decotes baris que ela usa), tudo isto financiado pelo ministério da cultura. Más-línguas, claro. Eu consigo bem perceber que um homem faça algumas loucuras para conquistar uma mulher daquelas - em prole da cultura, claro.

Ora portanto tínhamos um gajo Carmona, com poucos e abstractos argumentos, mas sereno e educado, e um gajo Carrilho que não deixava mais ninguém falar e no final até recusou um aperto de mão ao adversário, o mal educado. Por estas e por outras é que este país está como está. Eu não gosto nem desgosto particularmente do Carmona, conheço-lhe pouca obra, mas pelo menos o tipo é um gajo com postura. Quanto ao Carrilho... Bom, aqui a conversa vai começar a "descarrilhar". Eu não sou de fazer opiniões profundas quando só conheço as pessoas à superfície, mas em raras ocasiões acontece. Nestas raras ocasiões, que saiba nunca me enganei (sou ou não sou Cavaquista, hum?). E eu não gosto do Carrilho. Se pudesse votar em Lisboa, até no Bloco era capaz de votar só para não votar nele. E não é propriamente porque o gajo tenha uma cara que parece saída de um filme de terror classe B dos anos 50, nem porque têm aquela voz irritante que me perturba os ouvidos, com aquela péssima dicção e o falar empapado de quem tem duas colheradas de Cerelac na boca. É mesmo porque o gajo deita cá para fora, pelas expressões, maneira de falar, conteúdo das frases, atitudes, etc. e tal que é um hipócrita sem escrúpulos, um gajo sem moral, capaz de vender a própria mãe, um daqueles vermes que se morde a língua morre envenenado. Posso estar enganado, claro. Mas olho para o gajo e a única coisa que me vêm à cabeça é "filho-da-puta". Vá-se lá saber porquê, e afinal, já estou tão habituado a ver o país governado por filhos da puta, que não devia estranhar só porque este é mais óbvio. Mas o gajo dá-me azia, revira-me o estômago, e eu não posso com ele. Embirrices...

Mas no que toca à campanha, e em particular os belos cartazes que por estas alturas nos entopem a cidade e nos esvaziam os bolsos, tenho que admitir que o departamento de marketing do PS fez um trabalho muito melhor. Concorde-se ou não com elas, os cartazes do Carrilho apresentam briefings de propostas e soluções. O que é alguma coisa. Já o "Dar a cara por Lisboa" do Carmona é no mínimo infeliz. Eu quero lá saber da cara do gajo, quero saber mesmo é o que ele quer fazer pela capital. Desculpem-me, mas eu acabei de vir de Munique, onde se sente o ar o perfume da civilização (no bom sentido) - organização, higiene, civismo e reciclagem. Depois disto, tornou-se ainda mais gritante que Lisboa precisa de mais que uns "retoques". Mas nisto ninguém aposta.

Aliás, até porque é dispendioso e altamente anti-popular reformular a cidade da maneira que ela precisa. Ah pois, é uma pena, mas grande parte de Lisboa foi pensada com os pés (acho que até estou a exagerar ao usar o termo "pensada") e agora é o caos que nós conhecemos. Parte dos bairros históricos, assim chamados porque tem pinta, nunca mais vão passar de barracos velhos a cair de podre por dentro e por fora mas ninguém tem tomates para assumir que se devia deitar uma parte daquilo à cota zero, ao invés de se fingir que se renova a cidade. E a outra parte, a ainda grande área histórica de Lisboa que vale a pena preservar, para isso ninguém se lembra de uma brilhante ideia para o fazer e ainda lucrar com isso. Afinal, em Lisboa é muito mais fácil dizer que os carros é que são a mais, apesar do nosso sistema de transportes públicos ainda ser uma piada, e portanto, ao invés de assumir o inevitável e começar de vez a melhorar as infraestruturas, inventam-se mais artimanhas airosas e esquemas manhosos para tirar os carros da cidade. Lamento desiludir-vos, caros iluminados anti-automóvel, mas eu moro na linha de Sintra, e por experiência feita, sei que demoro o dobro do tempo a chegar ao meu emprego em Lisboa de transportes... mas se um bando de mentes iluminadas fez o estudo e me diz o contrário, devo ser eu que estou errado... afinal, se eu não moro ao lado de uma estação de comboios e trabalho ao pé de outra de modo a que este transporte se torne o mais rápido, a culpa é só minha.

Estou farto destes políticos que me culpam a mim por tudo e por nada. Eu injecto-lhes todos os anos uma brutalidade de dinheiro ganho com o meu suor, em IVA, IRS, imposto automóvel e mais todas as outras taxas que sempre que podem se lembram de aplicar. Tenho a certeza absoluta de que nem pouco mais ou menos usufruo de metade do dinheiro que lá meto. E no entanto, por alguma razão bizarra, quando o estado gasta mais do que tem, a culpa parece ser minha. Se eu gastar mais do que tenho, executam-me a hipoteca da casa e penhoram-me o pouco que tenho lá dentro, se um administrador da minha empresa der prejuízo, vai para o olho da rua, mas no governo, quando sucessivos líderes fazem merda, aumentam-se os impostos. Viva a democracia! De cada vez que recorro a um serviço público, sei que me aguardam horas de espera, mau atendimento e um serviço ineficaz, porque caí no erro de pagar antes - afinal, eles já têm a minha guita, e sabem que vão continuar a ter.

É fantástico, mas depois de 5 anos a trabalhar na zona da bela aberração a que chamam Alta de Lisboa (um lobbie jeitoso, a propósito), tornou-se cada vez mais transparente que neste país rende mesmo é ser malandro e preguiçoso. Quero dizer, eu que trabalho e pago os meus impostos sou mal tratado por tudo o que pertence ao estado como se tivesse feito mal a alguém, os nossos idosos que recebiam misérias por trabalhos árduos "mas honrosos" no tempo do Salazar continuam a receber misérias agora que mal lhes dão para comer quanto mais para aceder ao nosso vergonhoso sistema de saúde (parece que os medicamentos vão aumentar outra vez), e vários vivem em casas a cair de podre nas "zonas históricas" de Lisboa e afins, mas para onde se canalizam os poucos fundo que temos? Passadores de droga que moram em habitações sociais a troco de rendas insignificantes, pagas com o dinheiro do tal rendimento mínimo que provém dos meus impostos, que se for preciso ainda pregam uns tiros em pessoas que trabalham, como aconteceu há bem pouco tempo e bem perto de mim. Gajos que não trabalham nem querem sequer, porque afinal, trabalhar cansa e se podem estar nas casas dadas pelos gajos do governo, com dinheiro todos os meses à custa da parte produtiva da sociedade, porque não haveriam então de passar os dias a polir com as costas as paredes dos prédios sociais a beber umas bjecas à minha custa? E muitos ainda nos assaltam e levam o que nos matamos a trabalhar para ganhar, porque devem achar que o que já lhes damos ainda é pouco. Afinal, porque razão não deveria eu pagar casas de chuto, reciclagem de seringas e afins para agarrados que não querem largar a merda de vida que levam e deixar de ser parasitas da sociedade? E no fim, ainda reclamar com tudo e com todos porque ninguém lhes dá apoios nenhuns? Coitadinhos...

Estou farto destas políticas de merda da esquerda, da hipocrisia de chamar coitadinhos aos parasítas, e bandidos a quem contribui. De malta "cheia dele" supostamente "esquerdina" que defende com unhas e dentes estes coitadinhos desde que não tenham que abdicar de nenhuma regalia que tenham para justificar molhadas de teoria que despejam a esse respeito. Farto de comunistas obtusos que pintam os patrões que lhes pagam como se fossem o demónio, mesmo aqueles que são bem pagos - porque na verdade sofrem de um mal terrível chamado inveja. E também farto da direita capitalista que facilita o enriquecimento fácil de quem já é rico à custa da miséria dos outros. Farto das tretas de merda dos radicais de direita que julgam que sabem tudo, cambada de neo-nazis retrógrados e preconceituosos, idiotas que julgam que encontraram a verdade suprema e a podem impingir a toda a gente. E acima de tudo, farto deste bando de incompetentes que andam a governar este país há anos e a mamar do meu bolso, que depois arranjam maneira de me culpar a mim pela merda que fizeram.

Uff, descarreguei. Isto foi quase tão bom como ir à casa de banho :P

08/09/2005
Estou em Munique. (E com um raio de um teclado alemao no qual nao consigo usar acentos!) De qualquer forma, apesar de "Munchen" nao ser exactamente a tipica cidade para turismo - diga-se o que se disser - e engracado que num pais tao proximo em consiga sentir que cheguei a civilizacao... Temos uma ou duas coisinhas a aprender com os alemaes, nos...
Amanha estou de saida para Viena. Vivam as ferias, e viva a Europa!


05
/09/2005
Vou de férias! (Já não era sem tempo!) - A próxima actualização do site vai ser feita daqui a quase 2 semanas, porque vou estar esse tempo fora e sem meios de digitalizar tiras e outras alterações mais profundas ao site. Com jeitinho, e havendo acesso à net, talvez deixe umas entradas aqui no blog...


01
/09/2005
E o MundoLouco.com fez um ano desde a publicação da primeira tira! Bom, na verdade, um ano e um dia :) Parabéns ao JAZZ, JUBAS, NEMBE e companhia, e esperemos que daqui por um ano eles, e o autor, ainda andem por aqui a poluir um cantinho da net...
Os meus agradecimentos àqueles que têm seguido o site e que me tem dado os elogios tão importantes para o meu ego para eu poder ter a vontade de continuar a desenhar isto...

23/08/2005

Gamma Ray Gamma Ray Gamma Ray!!! Mais um álbum do grande deus Kai Hansen e companhia - E Gamma Ray nunca desilude, minutos depois de ter começado a ouvir já estava a adorar - Continua a ser indubitavelmente a grande banda de speed metal germânica, em alma e sonoridade, mas não soa a uma mera repetição de algo que já tenham feito antes - coisa cada vez mais rara nas bandas com vários álbuns e anos de estrada. Os meus sinceros aplausos para a banda que me proporcionou o melhor espectáculo ao vivo que já vi!

16/08/2005

Definições MundoLouco, episódio 1:
Estar apaixonado, the metal way:
Ouvir músicas de Hard Rock daquele bem lamechas no carro, cantando a letra com um sorriso idiota na cara, uma ocasional abanadela de cabeça. Afinal, alguém tem que comprar os discos dos Firehouse...


08
/08/2005
As coisas que eu vou desencantar... Esta "pérola" que vos deixo data de Março de 1996, na altura em que eu escrevia uns artigos para um jornal de música (coisa que me proporcionou uma entrevista com os IRON MAIDEN!) A entrevista abaixo, verdadeiramente imparcial e escrita por uma ex-namorada para um jornal para o qual eu escrevia - leia-se "Backstage" - (LOL), refere-se à minha banda da altura, os RONIN BLOOD, que talvez já tenham visto referidos nos agradecimentos. Uma grande saudação aos meus amigos Armando, Mascas e Salvado por alguns dos melhores tempos da minha vida.



 

06/08/2005
Pérolas da sabedoria popular, parte 3:
"Quem espera sempre alcança".

Em contradição à primeira pérola desta saga, às vezes ainda há pessoas que me conseguem surpreender pela positiva. Pé ante pé, lá vou eu, quem sabe... Um beijo muito grande para a "Nokas"... És uma miúda muito especial.

04
/08/2005
Pérolas da sabedoria popular, parte 2:
"Se quiseres algo bem feito, fá-lo tu mesmo".
Hoje no trabalho caiu-me nas mãos mais um daqueles biscates que eu não desejo a ninguém. A coisa bem feita não será o biscate em si, mas o belo e valente acto de se descartar dele. Para a próxima, tenho que o fazer bem feito e descartar-me primeiro.


03
/08/2005
Pérolas da sabedoria popular, parte 1:
"Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos animais".
É a verdade trazida à prática. Acho que cada vez me torno mais céptico, poucas são as pessoas que não acabam de uma forma ou outra por me desiludir. Hoje mais uma e continua a contagem. Ainda dizem que os gatos são falsos e traiçoeiros... Adoro a minha Teela e a minha Shuguinha (se bem que a esta última, deveria ter tido mais juízo quando aceitei este nome, lol).

E por falar em gatos, deixo-vos este belo Poema do Gato que um amigo me mandou hoje por email...

Este gato, é gato,

o gato, melhor gato,

meio gato, de gato,

manter gato, um gato,

idiota gato, distraído gato,

por 20 gato, segundos gato.

 

Ah! Não entendem nada?


Então experimentem ler sem a palavra GATO.

27/07/2005

Finalmente conseguimos uma pequena vaga na muito ocupada agenda do protagonista deste site, o multi-talentoso Jazz, que nos concedeu uma há muito desejada entrevista. Revelações bombásticas, como se pode ler de seguida...

REPÓRTER LOUCO -
Olá Jazz, é um prazer e uma honra poder fazer esta entrevista. Como vão as coisas contigo?

JAZZ -
Está tudo bem, obrigado. Apesar de este site não andar nem desandar, mas é o que se tem...

RL -
Não estás contente em trabalhar no Mundo Louco?

JAZZ -
Não diria tanto, mas os argumentos andam um bocado fraquinhos... O que vale é que o gajo me desenha bem, pelo menos sempre compenso pela boa aparência.

RL -
Mas estás a considerar mudar?

JAZZ -
Tive uns convites para alguns desenhos animados de grandes editoras, mas o contrato do Mundo Louco tem uma cláusula de exclusividade... De qualquer modo não me posso queixar, repara, um desenho animado tem 25 imagens por segundo, eu aqui faço 3 ou 4 quadradinhos por semana. Permite um estilo de vida totalmente diferente.

RL -
Estou a ver. E fora desta área, chegaste a considerar outras profissões?

JAZZ -
Bom, o curso de boneco de banda desenhada dá para isto e para a política. Ainda andei uns tempos indeciso, mas acabei por me virar para a BD, porque apesar de se trabalhar mais, não se tem que usar gravata. E eu detesto usar gravata.

RL -
E ganha-se tão bem como na política?

JAZZ -
O ordenado base é melhor, mas claro, não tenho as ajudas de custo, despesas de representação e as outras regalias todas dos políticos, portanto acabo por ganhar muito menos. E é mais difícil fugir ao fisco também, aliás, deves-te lembrar que até já mandaram extra-terrestres atrás de mim. Mas não me posso queixar, aliás, há por aí muito boa gente que se estafa a trabalhar e se soubesse o que eu ganho arrependia-se solenemente de não ter antes seguido a área de boneco de banda desenhada. Foi uma questão de perspicácia - neste país só ganha muito quem trabalha pouco, daí eu ter aceite fazer uma tira semanal.



 

RL - Estou a perceber. Mas não é para qualquer um, ouvi dizer que o curso de boneco de banda desenhada não é para qualquer um...

JAZZ -
Não é tão difícil quanto pintam. Vejo aí tantos cromos na televisão que até têm que se expor em "reality shows" manhosos de gente famosa para fazer dinheiro, e se tivessem estudado um bocadinho podiam estar a ganhar o mesmo que eu e poder manter a dignidade. Há algumas cadeiras mais difíceis, chumbei 2 vezes a Astérix, mas não é de todo um curso difícil.

RL -
Falando em Astérix, essa é uma curiosidade que trago. Quem são os mestres que te inspiraram, que te influenciaram, podes dizer-nos?

JAZZ -
Não tenho problema nenhum. Não sou como alguns que assim que atingem alguma fama fingem que ninguém os influenciou. Vai lá perguntar ao Calvin se ele admite as influências que têm nos bonecos do Charlie Brown e da Mafalda, ou ao Garfield sobre o Gato Felix. Eu não vou nessas hipocrisias. Aliás, nota-se bem que tenho influências no estilo misterioso do Batman e na perpicácia do Rato Mickey, era idiota da minha parte tentar negá-lo.

RL -
E sobre o autor?

JAZZ -
Foi o que se pôde arranjar. Eu não espero ficar o resto da minha vida a fazer o Mundo Louco, mas para já vou cumprir o contrato que tenho. Tive quase a rescindir aqui há um mês atrás, aliás, esqueçam as desculpas parvas que o gajo deu para isto ter estado parado 2 meses, na realidade estivemos em negociações. O gajo finalmente lá se saiu com umas ideias para umas tiras com piada a satirizar uma banda de heavy metal, que devem ser publicadas daqui a uns 2 meses, e portanto acabámos por nos entender.

RL -
Essa tua amizade com o Jubas, já vem de longa data?

JAZZ -
Sim, desde a escola secundária. O Jubas é um gajo um bocado estranho, mas uma jóia de pessoa. É o meu melhor amigo. Nem te passa pela cabeça a quantidade de coisas malucas que já fizemos. Aliás, até passa, porque o autor inspira-se nisso para fazer algumas das tiras que aqui aparecem.

RL -
Donde vêm o nome dele, "Jubas"?

JAZZ -
Dahhhh... do cabelo, não? Quando o conheci, estava aquela farta juba em crescimento. Fui eu que o baptizei, e ainda agora que ele usa o cabelo bem curtinho, o nome mantém-se. Não devia dizer isto, mas ele nas tiras usa peruca.

RL -
E o teu nome?

JAZZ -
Queriam que eu usasse a minha alcunha dos tempos de escola, "Aranha", mas eu achei que me podiam confundir com aquele palerma da roupa azul e vermelha. Andei a matutar num nome apropriado para mim, mas infelizmente já tinham registado o nome Super-Homem. Acabou por ser assim numa ida ao Hot Clube, a ouvir uma banda de Jazz, que me veio a ideia... Além disso, também é o nome de um disco dos Queen, por isso é fixe!

RL -
Aquela história com as miúdas na discoteca... aquilo passou-se mesmo assim?

JAZZ -
A morenaça bombástica não, estás parvo? A oferecer-se daquela maneira... Cada vez que acabávamos de fazer uma tira, lá tinha eu que lhe fazer a vontade, hehehe! Mas a Nembe, a giraça de olhos verdes que me acha um chato, sempre me achou um chato também na vida real... 'Tás a ver, foi uma daquelas longas paixonetas avassaladoras não correspondidas de adolescência que toda a gente tem, percebes?

RL -
Toda a gente tem? Não, francamente não me parece...

JAZZ -
Isso, vai, apunhala-me o ego!

RL -
'Tou a brincar. Portanto acreditas no amor à primeira vista?

JAZZ -
Naaa... Eu sou um bocado pitosga, à primeira vista posso ver mal os pormenores. Só amo depois de ver tudo à lupa (risos).

RL -
És religioso?

JAZZ -
Eu sou um personagem de banda desenhada. Se não acreditar num criador, depois quem é que me desenha?

RL -
O que achas do humor actualmente feito em Portugal?

JAZZ -
Na banda desenhada, gosto do site d'Os Putos, que infelizmente parou. Também gosto de dar uma olhadinha no vitominas.com, que o autor se recusa a pôr nos links daqui por achar demasiado obsceno para o conteúdo do Mundo Louco. Mas depois farta-se de rir com aquilo, o hipócrita. Mas sabes como é, fez o Mundo Louco com aquela ideia de ser assim uma BD mais própria para consumo e tal... Na TV, gosto do Gato Fedorento. Acho que é o melhor humor português em muitos anos.

RL -
Portanto és mais um daqueles que acham que o Herman está decadente?

JAZZ -
Não, de todo. O Herman estava decadente há 5 ou 6 anos, agora já está podre coitado... Quer dizer, eu gosto de ver gajas de biquini ou mesmo sem biquini, tanto ou mais como outro gajo macho qualquer, mas fazer o humor depender disso é decadente. E pior, o gajo ainda se mete para ali a mostrar gajos semi-nus também, deve pensar que temos todos os gostos dele...

RL -
Uma última pergunta... o que podemos esperar nos próximos capítulos do Mundo Louco?

JAZZ -
Fora as tiras dos heavy metals que falei há bocado, acho que vai ser a mesma lenga-lenga de sempre. O argumentista é fraquinho, não se pode esperar mais. Mas pronto, o meu talento sempre compensa um bocado a falta de talento dele.

RL -
Bom, Jazz, foi um prazer. Obrigado pela entrevista e boa sorte para este mundo louco...

JAZZ -
De nada. Com um site deste é mesmo preciso sorte... Fica bem, meu!

19/07/2005

Continua a metamorfose deste louco autor em... si mesmo. Trambolhões e chapadas da vida fizeram-me mudar para algo que não era eu, numa desesperada tentativa de criar um "eu" melhor. E assim, num Kafkiano processo, fui-me transmutando em diversas coisas que não sou eu. Tornei-me tolerante ao ponto de perder personalidade, adepto de coisas que não aprecio, irresponsável e até algo fútil, numa esperança estranha de integração neste mundo louco. Como noutras circunstâncias, sabia à partida que isto não ia resultar, e que não ia aprender nada de realmente útil, mas por alguma razão estranha por vezes acho que devo passar por experiências cuja inutilidade já conheço de antemão.
Finda a bizarra "out of my mind experience", processa-se o regresso aquele que sempre fui. Não, não sou esquizofrénico, só um bocado, como já me disseram em tempos, "complicado". Este Darth Vader pode afinal, voltar a ser Anakin Skywalker...

12/07/2005

Quando era pequenino ensinaram-me que não se devia mexer nos ninhos de vespas, porque elas não gostam, atacam e picam. Penso que alguém deveria ter ensinado o mesmo aos Srs. Bush, Blair, e companhia. Não quero com isto dizer que haja qualquer justificação para os ataques terroristas. Nada justifica o assassinato de inocentes. Mas esta mania de querer ser "polícia do mundo" na versão mediática, e controlador de recursos económicos (leia-se petróleo) na versão realista não poderia dar bons resultados. Aliás, se quisessem ser de facto polícias do mundo, que ao menos fizessem um bom trabalho, ao invés da tremenda bosta que têm feito.
Admiro também a cambada de cretinos que acham que deveríamos forçar aquela gente a adoptar a democracia, e mais ainda o bando de hipócritas que acham que os devemos educar. Assumindo portanto no auge da nossa arrogância que somos superiores, que fazemos melhor juízo, que a democracia é que é a verdade absoluta. Amigos, e que tal essa opção ser feita por eles do mesmo modo que nós fizemos a nossa? Mas que direito temos nós de julgar quem está certo e errado, e de impingir os nosso princípios aos outros? Especialmente vindo de países com a taxa de criminalidade que tem os EUA, ou de países com longa história de problemas com terroristas como o Reino Unido ou a Espanha.
Mas atenção - os responsáveis por este ataque em Londres, ou por qualquer outro ataque terrorista, acho-os a escória da humanidade, e que deveriam ser linchados lenta e dolorosamente em praça pública. Mas isso não é a generalidade de um povo, de uma religião, ou de um sistema. É apenas uma repugnante minoria, a qual se não lhes tivessem mexido no "ninho" (e perdido boa parte de qualquer razão "eticamente correcta" que pudessem ter), não teria provavelmente dado nenhuma "picadela".
Senhores da extrema-direita e afins, não venham novamente brincar às cruzadas para ganhar riqueza e poder. Não nos atirem areia para os olhos. Vocês são co-responsáveis dos acontecimentos de Nova Iorque, Madrid, Londres, e tantos outros. Se não respeitam as opiniões alheias, ao menos tenham consideração pelos povos que lideram e PENSEM antes de fazerem mais merda. Não é uma questão de deixar de ter medo dos terroristas (porque lamento, eles são devotos fanáticos que levam as suas crenças ao extremo - quem não tiver medo só pode ser estúpido) - é uma questão de deixar de meter o bedelho onde não somos chamados.

Os meus sinceros pêsames a todas as vitimas, familiares e amigos destes trágicos acontecimentos - que não têm culpa nenhuma da cagada que os seus líderes têm andado a fazer.

07
/07/2005
Hoje não tenho nada de jeito para dizer. Ou seja, é mais um dia como tantos outros. Não fui ao salão erótico na FIL (que seria uma experiência a partilhar aqui), o que foi bom, porque se tivesse ido aparentemente teria corrido o risco de inadvertidamente assistir a um concurso de masturbação masculina. E francamente, acho que já tenho mais experiências desagradáveis do que gostaria.
Estas coisas fazem-me sentir... velho e conservador.

Ou então posso falar da fantástica tenda de campismo que vi à venda, que se monta em nada mais nada menos que 2 segundos. Basta atirar ao ar e já está. A sério. Aliás, será de extrema utilidade para a minha segunda ronda de carro em volta da Europa.

Ou então, visto que comecei logo por dizer que não tinha nada de jeito para dizer e já cumpri a minha palavra, posso subtilmente retirar-me, que ninguém tem culpa dos meus atrofios cerebrais...

03
/07/2005
WE WILL WE WILL ROCK YOU!!!
Estou acabadinho de chegar do concerto de Queen (+ Paul Rodgers) no estádio do Restelo, e achei que deveria partilhar convosco um pouco da experiência. Inicialmente fui muito crítico desta digressão (inclusive neste blog), mas na verdade, Queen são sempre Queen, é a minha banda favorita de sempre, é ir ver e ouvir Roger Taylor e Brian May ao vivo pela primeira vez na minha vida (e talvez a última), é estar rodeado de umas 30 ou 40 mil pessoas a cantar algumas das melhores músicas jamais escritas. Brian e Roger continuam em grande forma, apesar de já não serem propriamente nenhuns garotos, e a sua performance este excelente (apesar de Brian ter remexido alguns solos que eu preferia que tivessem ficado inalterados porque soam melhor na versão original).

Paul Rodgers... Paul Rodgers foi um erro, e passo a explicar porquê. O homem canta bem. O homem é um bom frontman. Eu adorei o concerto, e parte disso deve-se ao facto de ele ter estado à altura. O problema, que na realidade não é um mas sim dois, é que ele já tem quase 40 anos de carreira, o que implicou que ele trouxesse consigo músicas dos seus anteriores percursos musicais, que à excepção de "All Right Now" ninguém conhecia e nitidamente ninguém estava com muita vontade de ouvir. Isso e o facto de, sendo ele um vocalista com algum renome (apesar de na realidade ele se ter tornado mais conhecido com esta digressão que nos restantes 30 e muitos anos da sua carreira), e tendo o homem talento reconhecido (e mais algum que ele presume ter), fincou pé a adaptar Queen ao seu estilo. Só que isto, que até não me pareceu mal na teoria, não resultou assim tão bem na prática, porque o adaptar ao seu estilo foi nalguns casos adulterar um bocado a parte vocal das músicas, nomeadamente em "A Kind Of Magic", que ficou consideravelmente desfigurada. Freddie Mercury é insubstituível e inimitável, mas neste caso preferia que ele o tivesse imitado um bocadinho mais. Mas pronto, manias de artista de querer preservar o seu cunho a todo o custo mesmo que isso implique ir contra a vontade de quem vai ver os concertos, que basicamente são as mesmas pessoas que os possibilitam. Não pude deixar de concordar com o meu irmão, que à saída me dizia, "mais valia ter sido o puto do musical We Will Rock You que vimos em Londres" - sim, porque sem fama nem manias, e curiosamente sem tentar clonar Mercury, estava mais ajustado ao espírito e sonoridade dos Queen.
E, apesar de ser nitidamente o menos carismático da banda, foi uma pena não ter sido John Deacon a tocar baixo nesta tourné.

Agora não me interpretem mal. Adorei o concerto, acho que apesar de tudo Paul Rodgers (e o guitarrista, baixista e teclista convidados) se portaram bastante bem, e apesar de não ter sido o concerto da minha vida (provavelmente seria - se Freddie Mercury ainda estivesse vivo e em cima daquele palco a cantar), gritei, pulei e cantei que nem um doido todos os temas (de Queen), de onde destaco "Tie Your Mother Down", "I Want To Break Free", "Crazy Little Thing Called Love", "Love Of My Life", "Hammer To Fall", "I Want It All", "Radio GaGa", e claro, "Bohemian Rhapsody" - com uma gravação de Mercury da tour de 86 a fazer a parte vocal até à entrada da parte heavy metal final - "We Will Rock You" - em que pude ter o prazer de estar no meio da coreografia mais emblemática de sempre de qualquer concerto, milhares de pessoa de braços no ar a bater as palmas ao ritmo que todos conhecem (Deslumbrante!!!) - e "We Are The Champions" - o derradeiro hino a ser entoado em coro e sentimento por todos os presentes.

Claro está, faltaram muitas música que adorava ter ouvido. Mas pronto, eu podia ter ficado até de manhã a ouvir e cantar a discografia inteira da banda, e portanto, sabendo eu da minha condição de mega-fã e mega-doido, assumi à partida uma expectativa mais modesta e fiquei satisfeito com as canções que ouvi.

QUEEN ROCKS FOREVER! LONG LIVE QUEEN!

29/06/2005
Ora acho que passou um bocadinho do prazo para publicar uma tira nova...
Eu posso explicar! Calma!
Depois de publicar a última tira, estava eu feliz e contente a passear pelas margens do rio Tejo (assim a modos que dos lados da Costa da Caparica) quando fui violentamente raptado por extraterrestres do longínquo planeta Zorb. Eles tinham 3 olhos, e as fêmeas tinham 3 glândulas mamárias (raparigas da Terra ponham-se a pau!) Tentaram sacar de mim informação vital, tal como sobreviver num país governado por palhaços, ou onde encontrar coragem para enfrentar diariamente a IC19. Não conseguiram saber nada, posso-vos jurar. E elas bem tentaram. Frustrados, limitaram-se a trocar umas dicas do Kama Sutra comigo e devolveram-me a este planeta que eles baptizaram de "Lixo Kósmico" (com "K", a linguagem dos SMS também já chegou ao planeta Zorb). E com esta brincadeira eu com tiras para publicar e não pude fazer nada. Vocês não fazem ideia de como é complicado aceder à net em Zorb!

...

Pronto, OK, é mentira. Na realidade eu estava só a cuidar do meu bonito jardim quando sofri um bizarro acidente de jardinagem. Aconteceu o mesmo aos Metallica em 95, portanto se a qualidade deste site decrescer ainda mais, não se admirem.

...

OK, OK! FOI PREGUIÇA MESMO!!! POSSO???

PS: Tarde e a más horas (eu tinha um texto imenso sobre estes 2 tópicos) aproveito para fazer só um resumo de que o Star Wars 3 é genial (o meu favorito depois do "Império Contra-Ataca" e "Uma Nova Esperança" - Ah grande Lucas!) e que o SLB é o maior e viva viva até fui ao estádio da Luz comemorar e tudo. Só é uma pena que alguns murcões provincianos e bairristas tenham mau perder e pouco desportivismo e estraguem a festa a quem está contente, mas isso também já não é novidade.

PS 2: A propósito de um tal de "Arrastão", nada de extremas direitas e afins, mas está na hora de alguém se impor contra esses palhaços que julgam que podem fazer o que lhes dá na telha e sair impunes - isto afecta-nos a todos enquanto cidadãos deste país, e até já o turismo, uma das poucas fontes de riqueza duma economia à beira da banca-rota se ressente porque neste país o polícia está de mãos atadas excepto para passar multas de estacionamento. Portanto, e com o devido cuidado de se evitar pancadas de xenofobia ou racismo, acho que isto serviu para mostrar que está mais que na hora de se aumentar a segurança pública. A tempo, hei-de escrever mais sobre isto...

Bem haja.


10
/05/2005
Ergue-te LORD VADER!!!
É pá, não sou um daqueles doidos que ficam 2 meses em fila à porta do cinema para ver o Star Wars 3 (ainda por cima sem terem a certeza se estão no cinema certo - ah grandes malucos!!!) - mas hei, estou ansioso por ver o amigo Anakin a trajar as vestes do Lord of the Sith - Ah grande Lucas!!!

03/05/2005

Aqui há uns anitos (já mais de 10, agora que penso nisso), numa aula de filosofia, o "setôr" citou-nos uma pergunta filosófica de um qualquer pensador cujo nome não me lembro: "Se não sabes, porque perguntas?"
Daqui resultaram várias reacções, desde perfeita apatia, expressões de entendimento, até à revolta de um "Que pergunta mais parva! Pergunta para saber, porque raio havia de ser?" - Com excepção dos apáticos, todos tinham razão.
A verdade é que com 17 anos achei esta "filosofia" insuficiente no mínimo e básica sendo mais severo na crítica, e hoje continuo a pensar de forma semelhante. O fundamento por detrás desta pergunta é que, se não entendemos algo, devemos analisá-lo e explorá-lo de modo a compreendermos por nós próprios, ao invés de simplesmente aceitarmos a verdade de outrem. Mas de tão minimalista que é a expressão (também confesso que nunca tive a curiosidade de ler o resto da divagação filosófica do autor), sugere uma arrogância de auto-descoberta de verdades absolutas. E muitas vezes, temos que pura e simplesmente aceitar a verdade que os outros nos dão. Sei que se fazem testes de carbono, mas não sei de facto como esses testes permitem avaliar a idade de um fóssil. Sei que uma aspirina alivia as dores de cabeça, mas não consigo explicar a ninguém qual é a reacção química que o torna possível. E por aí em diante. Concordo parcialmente com o autor - nós devemos procurar as nossas próprias verdades - mas nunca devemos deixar de ter em conta a verdade que outros já descobriram. Podemos depois concordar ou discordar - o importante é que a opinião final, de aceitação ou negação, seja nossa e não incutida por alguém - talvez seja por pensar assim que leio a Bíblia, e no entanto não acredito em Deus.
Eu sou do tipo de pessoa que pergunta, que se reporta aquilo que os outros já descobriram, que pergunta às pessoas porquê isto e porquê aquilo (não na vertente infantil da coisa, acho eu, já saí dessa idade há mais anos do que gosto de aceitar), e já várias vezes me disseram que eu questiono demais. Algumas pessoas porque acham que a menos que passemos tanto tempo a investigar algo como o seu "descobridor", não temos o direito de o interrogar, que devemos aceitar certas coisas passivamente. Outras porque pura e simplesmente não gostam de ser questionadas - numa visão mais virada para a psicologia da coisa, algumas pessoas não sabem o que responder, têm medo do conhecimento que a resposta nos dará, ou por alguma razão estranha acham que a resposta que têm para nós pode não ser suficientemente boa para a pergunta. O espírito pesquisador e o espírito aceitador sempre tiveram dificuldades de comunicação.
Porque é que estou a escrever esta macacada? Não sei. Ou talvez não queira dizer. Ou talvez não seja por nada de especial e como tal, prefiro manter a pergunta misteriosa a arranjar-lhe uma resposta simples. Quem aceitar o tal filósofo acima citado, pode tentar averiguar. Quem quiser o atalho da pergunta...

01/05/2005

Andava eu descansadinho na minha vidinha do costume quando me deparei com um novo programa da TVI (um canal que eu costumo ver por escassos segundos porque está entre a SIC e a SIC Notícias), cujo nome não me lembro mas era um qualquer reality show sobre testes de fidelidade. A SIC tem a versão soft-core, o da TVI é mais hard. Ambos são igualmente do piorio. Portanto, como já devem saber, um dos cônjuges testa o outro perante as câmaras, que sem saber vai ser tentado seduzir por um actor/ actriz (do sexo oposto, mas não me surpreendia também a versão gay). E pronto, lá caem na esparrela, e depois passa-se para a peixeirada à boa brasileira (consta que também há alguns com portugueses, mas não vi), onde namorado, namorada e actor/ actriz discutem nos bastidores, perante um apresentador do mais sensacionalista que há (parece a versão "leiloeiro" do João Baião mas dez vezes pior), onde depois também o público, composto de bichas, fufas, travestis e outras pérolas da sociedade criticam o maldito traidor.
E nós consumimos isto!!! Mas que raio de relações são estas em que as pessoas testam a fidelidade do parceiro na TV (e não me venham com a conversa que estavam à espera que fossem ser fiéis, senão não faziam um teste destes), que fazem depois uma peixeirada pública da sua vida supostamente privada, e que depois se preciso for ainda se reconciliam? Honestamente, se eu fosse submetido a um teste destes, por melhor que me pudesse portar, quem acabava o namoro era eu. E o povão (à boa brasileira) consome estas coisas avidamente, agora que o Big Brother acabou e a Quinta dos Ranhosos parece que já não pega tanto. É disto que nós gostamos? É isto que nós somos? Com mais uma agravante ainda - Amigos, se este programa não é todo uma encenação, então eu devo ser o Pai Natal!
Sendo sincero - segui um bocado o primeiro Big Brother. Era novidade, naive, e bolas, o Telmo e o Marco são personagens dignas de se ver - os verdadeiros Macacos Lusitanos. Daí para a frente já é fantochada a mais para mim, e como disse alguém, quando se pensa que já se atingiu o fundo do poço, lá aparece alguém que ainda consegue ir mais baixo.

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