Hobbiegrafia - BD

Aviso: O texto abaixo pode ser entediante de morte para alguns. Não pagamos despesas funerárias.

     Desde que me lembro que sempre quis fazer BD. Até como profissão, aliás, a primeira que desejei (se não contarmos as que ambicionava quando tinha 4 ou 5 anos, das quais se destaca "pintador" de casas). E sempre desenhei muito. As minhas primeiras criações incluem Pyp (um boneco que fiz em esponja com os meus tenros 6 anos, e que está presente nesta BD), o "Cãozinho de P" (não perguntem) e um outro cão meio-D'artacão chamado Ipy Up. Mas se a memória não me atraiçoa, foi com 10 anos que me "iniciei" na BD. Um jornal diário publicava uma página para os miúdos, para onde se podiam enviar desenhos, onde alguns meus foram publicados. Um dia decidi mandar-lhes uma banda desenhada. Era a história de "Antor", um super-herói inspirado pela Marvel e o seu Homem-Aranha (o meu super favorito de sempre), que ao impedir dois ladrões de assaltar um banco decide tornar-se num super-herói meio para o ninja. A história nunca foi publicada (um dia eles vão-se arrepender).

 

A influência Marvel já me marcava e então surgiu outra série que foi forte inspiração: "He-Man e os Masters do Universo". Ainda hoje sou fã da série (tanto da antiga como da actual!), e foi com base nestas duas influências que começam a surgir os primeiros personagens de uma longa saga. Estávamos no ano de 1988 quando passei as minhas BDs ao formato "revista" (na realidade, um caderno de desenho com aquelas linhas cor-de-rosa dos lados - este formato, sempre com desenho a lápis, às vezes pintado, regra geral não, durou muitos anos). Começo então a contar a história de um grupo de super-heróis chamado Força Estelar. O seu lider, um alienígena amarelo vindo do planeta Gorte, não era mais que o nosso querido Pyp com músculos. A ele juntávam-se a sua namorada Kenny, o ninja Antor, Pólvora (o Tocha Humana lá do sítio), Star, Rulk (sem comentários), e o arqui-inimigo Madskull Karador ("primo" do famoso Dr. Destino). E assim nasceu a "Hero Comics".


Capa da versão original de "Força Estelar" de 1988 (não liguem ao pontapé na gramática). Da esquerda para a direita, Antor (agachado), Star, Conel e Hércules (em cima), Rulk, Pyp, RulkII, Pólvora, Formigon e Kenny.

 


Capa da revista "Silkworm", 1988.

Também algures em 1988, tendo sido adicionado à  Hero mais tarde, criei o herói Silkworm (este personagem já tinha o seu quê de original), um bicho da seda humanóide que lutava contra as forças do diabólico Satanic Manti (uma alusão a um louva-a-deus pervertido), no micro-universo (novamente inspiração Marvel), habitado por insectos humanóides. 
Começam então a surgir outros desenhos animados e BDs que marcaram o meu percurso na época, a destacar os ThunderCats e os TransFormers. Estes últimos, se a memória não me falha, deram origem às minhas primeiras histórinhas cómicas, em 1989, a adaptação "TransComics", em que Optimus Supremo, ou neste caso "Pessimus Minorca" se transformava numa roda de skate. Também foi por estas alturas (89-90) que concebi uma outra "editora", StarCat, da qual não tenho qualquer registo dos personagens ou histórias. Ainda nesta mesma altura desenhei algumas histórias do personagem Saboteur (dos jogos de ZX Spectrum), onde surgiu pela primeira vez o logo da caveira associado à Hero Comics.

 

Com o tempo parte do meu grupo de amigos junta-se à Hero, à qual eu entretanto ia adicionando personagens: para além do nosso Pyp e do ninja Antor, tínhamos Kenny, a namorada de Pyp, Pólvora (o Tocha Humana lá do sítio), Star, Rank, e o arqui-inimigo Madskull Karador ("primo" do famoso Dr. Destino). Esta juventude "afiliada" à Hero basicamente mandava uns " bitaites" e copiava da Marvel uns heróis que me tinham passado ao lado, com excepção de um deles, que também criava e desenhava as suas histórias. E assim, em 1990, começámos a criar revistas de "publicação" periódica. Eu, com o recomeçar da "Força Estelar", mensal, e ele com "Heróis em Acção", bimestral. Os personagens partilhavam o mesmo mundo e chegaram a haver histórias que se cruzavam duma revista com a outra.


Elementar, um dos inimigos da Força Estelar, dominava os 4 elementos. 1990.

 

Em 1991 ambas as revistas pararam (a "Força Estelar" ia no seu número 15) e comecei então "Super-Heróis Hero". Nesta, a arte começava a ser um pouco mais cuidada e coerente, mas eu começava a sentir-me desagradado com os personagens e conceitos de histórias tão copiados da Marvel. Queria criar algo "meu". E assim, "Super-Heróis Hero" e a "Hero Comics Group" foram deixados de lado, ia a "revista" SHH no seu número 4.




















O Deus Hero e o seu filho Smasher e Pyp, o líder da Força Estelar, 1991.

 

Foi entre 91 e 92 que voltei à carga com BDs cómicas, especialmente inspiradas pelos colegas de escola, na época, a secundária D. Pedro V em Sete-Rios. Os heróis, eu e um amigo, designadamente "Aranha" e "Jubas" viviam as mais loucas aventuras e defrontavam os mais incríveis inimigos - todos eles caricaturas de pessoas da escola, desde alunos a professores e contínuos. Basicamente, servia para a risota dos colegas de turma. A arte era apenas esboçada, nenhum dos desenhos era minimamente elaborado. O que contava era o teor das piadas e a expressividade dos personagens. Esta BD, aliás, é a origem de "MundoLouco", e vários dos personagens são comuns.

 

Também em 1992 crio as aventuras de Igor em "Sun Power". Um herói que possuia um manto que absorvia a energia do sol. Este personagem passou por diversas metamorfoses (inclusive a abolição do manto) mas algo foi constante: O arqui-inimigo Lord of Chaos. Este vilão foi rebuscado com outro nome em Twilight e vai tornar, de certo modo, a surgir em MundoLouco.

 

Estávamos em 1994 quando comecei a conceber aquela que seria a minha derradeira história de super-heróis. O conceito era arrojado e ainda hoje o acho interessante. A história chamava-se "Klone" e o personagem principal era, adivinhem, um clone. A temática lidava com vida e morte, e reencarnação. Mais de metade da história foi esboçada a lápis, e uma pequena parte chegou a ser passada a tinta. Inevitavelmente, a história ficou a meio.


"Klone", a lápis, 1994. Mike Crane, a identidade secreta de Klone.


"Klone", a tinta, ainda sem texto, 1995. O Padre Williams e o sinistro Red Death confrontam-se.

 

Em 1996 veio "Twilight", a primeira BD que fiz que teve de facto alguma distribuição. Fanzine de 16 páginas A5, tinha uma tiragem em fotocópias de 75 exemplares, vendidos aos amigos. Era uma história de fantasia medieval, meio He-Man, meio Conan e meio outras coisas à mistura. O vilão de Sun Power, Lord of Chaos, foi rebuscado aqui com o nome de Wrathlord. Durou 3 números, o 4 continua incompleto. Twilight voltou a carregar o velho logotipo da Hero Comics, num dos meus típicos surtos de nostalgia.


Twilight N.º 2: Ashtor em conflito aberto com Gorgor (1996).


Excerto do incompleto Twilight N.º4 (1997). O lápis ainda não foi apagado.

 

Nesta altura também continuavam a fervilhar ideias para BDs cómicas, uma das quais com elfos e orcs à mistura, outra baseada nos deuses egípcios. Nenhuma me manteve cativado por muito tempo. Também comecei a esboçar uma BD mais séria chamada "Witchcraft", sobre uma feiticeira dos tempos modernos, mas nunca passou dos esboços.


Anubis, o guardião dos mortos, numa tira cómica dos deuses egípcios, 1997.


A heroína de "Witchcraft" num esboço de 1997.

 


He-Man versus Whiplash (2001).

Desde então, e com a entrada no mundo profissional (onde faço desenho, mas técnico de construção civil), a banda desenhada foi posta de parte, com a ligeira excepção em 2001 de uma BD sobre o He-Man complementar à história contada no romance que estou a escrever. Esta BD também está ainda por terminar (com o intuito de ser colorida em Photoshop), mas talvez um dia...

 

E finalmente, em finais de 2003 começo a explorar uma ideia já antiga de repescar as histórias do "Aranha" e do "Jubas". Inicialmente baptizado de Projecto Khaos, devido à mistura caótica de géneros e influências que pretendo colocar na história, rapidamente foi transformada em "MundoLouco", bem como o personagem principal se tornou "Jazz". Daí em diante é aquilo que eu vos vou mostrando aqui...


MundoLouco, primeiros esboços, 2003-2004.